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Professores e estudantes de Química incentivam a Ciência na rede pública do Pará

Cerca de 780 adolescentes do ensino médio e 120 jovens e adultos do EJA (Educação de jovens e adultos), da rede pública de ensino do estado do Pará, foram beneficiados com um projeto desenvolvido por alunos do curso de licenciatura de Química da Universidade do Estado do Pará (Campus Barcarena), que tem como foco desmistificar o estudo da Química e incentivar, por meio de atividades lúdicas, o interesse pela Ciência. A iniciativa, coordenada pela professora e doutora Lucicleia Pereira da Silva, foi aplicada em três escolas do município de Barcarena (PA).

O gestor do Campus Universitário de Barcarena da UEPA, Marcos Antônio Barros dos Santos, explica que o projeto –  “Formação inicial e continuada de professores de Química: educar pela pesquisa no contexto escolar amazônico” –  faz parte das ações iniciadas em 2018, no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), com a oferta de bolsas de iniciação à docência para Licenciandos do curso de Química, com a finalidade de incentivar o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão na interface Universidade-Escola. 

“Os estudantes graduandos foram incentivados a desenvolverem atitudes para a melhoria do ensino da Química, com base sólida e abrangente da Química, tanto no aspecto conceitual quanto no educacional”, reforça o professor Marcos dos Santos.

De acordo com o gestor da UEPA, os aspectos da Química estão presentes em diversas atividades na sociedade e devem ser exploradas nas aulas de Química. “A contextualização com temas regionais aproxima os conteúdos com a vida cotidiana do aluno e pode gerar um aprendizado significativo”, complementa o professor.

A autora do projeto, professora doutora Lucicleia Pereira da Silva, diz que a iniciativa direcionada para formação de professores, criada em 2007, e gerenciada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), visa fortalecer a formação inicial de professores e a continuada dos docentes.

“Ao vivenciar um ensino de Química contextualizado, a partir de práticas planejadas e fundamentadas em teorias, como a da Aprendizagem Significativa de Ausubel, na qual os professores em formação, ou em exercício, utilizam diferentes recursos e estratégias como experimentação, jogos, histórias em quadrinhos, entre outras atividades lúdicas, acreditamos que a Química passa a ser uma área de grande interesse. Assim, cursos como licenciatura, bacharelado, engenharia química e química industrial, podem surgir como opções de carreira para eles”, explica a professora Lucicleia.

Para a docente, o projeto é um espaço de formação, no qual futuros professores de Química conseguem articular teoria e prática, de forma orientada,  vivenciando o local formativo da universidade em interface com a sala de aula da escola pública.

Participaram do projeto 24 graduandos do curso de Química do Campus em Barcarena, além de seis graduandos, como voluntários, do curso de Ciências Naturais com habilitação em Química.

Os graduandos desenvolveram atividades como história em quadrinhos, experimentos temáticos, jogos lúdicos e diversos objetos educacionais com foco na aprendizagem de conhecimentos químicos contextualizados.

“Um exemplo é a história em quadrinhos “Sabão Ecológico”, que problematiza, por meio de um diálogo entre o professor de química e a vendedora de lanches da cantina, os impactos ambientais gerados pelo descarte inadequado de óleo da fritura na pia. Nesse material didático, os bolsistas abordam o problema de forma ilustrada, e apresentam uma solução para o problema, sugerindo a reciclagem do óleo de cozinha com a produção de sabão ecológico. Essa proposta coloca em discussão aspectos históricos, sociais, ambientais e conceituais relacionados ao tema e ao ensino de química.

O estudante Ulisses Chagas dos Santos Júnior, de 23 anos, foi um dos graduandos que desenvolveu atividades para os adolescentes das escolas públicas. 

“Uma das dinâmicas que aplicamos foi de palavras cruzadas com o objetivo de avaliar a aprendizagem dos alunos. Apresentamos um roteiro da tabela periódica para identificar se conseguiram compreender melhor o assunto”, conta Ulisses. 

O jovem, que cursa o sétimo semestre de Química da UEPA, ressalta que o retorno foi positivo, pois os alunos se sentiram motivados a buscar mais conhecimento e pesquisa.