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Professores apresentam as riquezas naturais e culturais da Floresta Amazônica

No 16º EPQA eles discutiram técnicas sustentáveis de manipulação dos recursos

Diante da variedade de atividades propostas no 16º Encontro de Profissionais de Química da Amazônia (EPQA), dois minicursos previstos na programação de quarta-feira (11/09) chamaram a atenção do público: os que tratavam de plantas medicinais e alimentos da região Amazônica.

Nas agendas, os professores mostraram aos estudantes as técnicas sustentáveis de manipulação destes recursos e como até na tradição dos povos indígenas há um pouco de Química .

No painel “Alimentos e Bebidas fermentadas Amazônicas: Tecnologia e Inovação para a conquista de novos mercados”, a professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Alessandra Santos Lopes mostrou todo o potencial da região, desde fauna e flora até microorganismos e como eles são elementos desafiadores do conhecimento. “Hoje sabemos que há organismos que são fundamentais para a fermentação do cacau para a fabricação do chocolate, ou do tucupi, referência na nossa culinária, que já é exportado para outros países”, exemplifica.

Especialista na pesquisa de bebidas da Amazônia, Alessandra estuda as bebidas indígenas que ainda não tiveram todo o seu potencial avaliado. “A partir deste conhecimento, podemos pensar em uma nova indústria de biotecnologia ligada a bebidas amazônicas, para a produção de cervejas, cachaças e até na área de panificação de alimentos fermentados”, explica. Para isso, ela considera prioritária a exploração destes recursos por profissionais qualificados. “Temos essa grande biodiversidade, mas a expertise para desenvolvê-la continua nos centros acadêmicos do Sul e Sudeste. Nosso objetivo também é transformar nossa educação, atraindo mais doutores e pesquisadores para nosso estado e construir um futuro de conhecimento local”, declarou.

Entre as bebidas indígenas pesquisadas, Alessandra cita o Cauim e o Caxiri extraídos, na maioria, de tubérculos. Além da riqueza natural, a professora lembra do caráter cultural delas. “Muitos desses elementos trazem neles a tradição da comunidade que os cultiva. Algumas fazem parte de rituais étnicos que simbolizam, por exemplo, a mudança de idade de um membro da tribo”, explica. Ela dá o exemplo de bebidas salivares oriundas de milho, ou mandioca onde só as mulheres as mastigam para depois cuspi-las. Neste processo de salivação, microorganismos e enzimas são inoculados para, depois de certo tempo, nascer a bebida para uso em seus rituais próprios.

Sustentabilidade

Em outro curso, o também professor da UFPA, Lourivaldo da Silva Santos, mostrou a riqueza das plantas medicinais. Com o tema “Química de Produtos Naturais: da Floresta aos Metabólitos Bioativos”, ele também explora os estudos étnico-antropológicos destes recursos e suas atividades biológicas. “Neste programa, busquei mostrar ao público toda a cadeia de pesquisa, desde a descoberta de uma planta medicinal até a produção de uma substância isolada e identificada”, declarou.

Ele também enfatizou a importância do profissional da Química em todo este processo de manipulação e desenvolvimento de produtos e como a Química Verde vem sendo amplamente utilizada. “Com a descoberta de técnicas mais limpas, praticamente não utilizamos mais solventes agressivos. As extrações de princípios ativos que mostro neste curso foram obtidas com CO2 super-crítico voltados para a preservação do meio ambiente”, declarou.