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Professor de Química desenvolve sensor termocrômico

Tecnologia pode ajudar consumidores e fabricantes na avaliação de produtos que precisam ser armazenados em temperaturas específicas

Um professor de Química do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) desenvolveu um tipo de sensor termocrômico que muda de cor quando atinge uma determinada temperatura e não volta à cor anterior, mesmo que a temperatura mude novamente. Esta tecnologia pode ajudar consumidores e fabricantes na avaliação de produtos que precisam ser armazenados em temperaturas específicas para não perder a qualidade.

O inventor da tecnologia é o professor João Paulo Campos Trigueiro. Ele desenvolveu o projeto junto com uma equipe formada por professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), ou seja, profissionais com diferentes expertises no campo da Química.

Trigueiro explica que o material consiste em uma mistura de polímeros com estruturas químicas bem específicas, que conferem uma coloração. É uma espécie de polímero inteligente, já conhecido na literatura e que tem vários usos na Química. “Conseguimos criar um novo material cromático com os polímeros. Desenvolvemos um material totalmente no estado sólido e baseado numa transição colorimétrica irreversível e modulável”.

O grande diferencial é a temperatura do sensor modulável. “Conseguimos organizar estes monômeros numa matriz polimérica compatível. Uma vez organizados, eles são polimerizados e darão origem ao polímero inteligente. Este material tem uma cor azul em temperaturas subambientes, mas mudará de cor irreversivelmente para o vermelho em decorrência de uma mudança térmica. E a faixa de temperatura na qual esta mudança vai acontecer pode ser controlada em virtude de ajustes na formulação da mistura polimérica”, detalha.

Como a mistura polimérica está no estado sólido, isso permite que o sensor seja incorporado a embalagens de produtos que precisam ser mantidos sob determinadas temperaturas. Por exemplo, um supermercado que opta por desligar o freezer durante a noite para economizar energia. Em um caso como este, atingido um determinado valor de temperatura, o sensor mudará de cor de azul para vermelho. Quando o freezer for religado e abaixar sua temperatura novamente, o sensor não voltará a ficar azul. Este seria um indicativo para o consumidor de que o produto atingiu uma temperatura não recomendável para seu armazenamento. O mesmo pode se dizer sobre medicamentos que precisam ser armazenados e transportados em temperaturas específicas.

O professor ressalta que o sensor pode beneficiar também as agências fiscalizadoras e o próprio fabricante do produto. “Para órgãos fiscalizadores, pode funcionar como uma ferramenta de monitoramento e análise. Já para o fabricante, que preza em fornecer um produto de qualidade para o consumir, é interessante para que ele possa atestar para o consumidor que seu produto é bom e confiável e que, em nenhum momento, no transporte ou armazenamento, foi acondicionado de forma incorreta, o que poderia prejudicar a qualidade final do produto”.

Como os resultados alcançados foram muito bons e não existem trabalhos semelhantes na literatura, a equipe resolveu escrever uma patente transformando os resultados do projeto nessa nova tecnologia. A patente foi aceita. Agora, a equipe está escrevendo um artigo para apresentar os resultados obtidos e abordar toda a discussão científica envolvendo o assunto.