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Processo químico inovador transforma bituca do cigarro em celulose

Guimba, bituca, toco, bagana, filtro. Aquele restinho do cigarro é conhecido por diversos nomes e é bem fácil de encontrar em calçadas, meio-fios e pelo chão das cidades Brasil afora. Levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que há 1,1 bilhão de fumantes adultos em todo o planeta, número que se manteve praticamente inalterado desde 2000. E cada fumante descarta 7,7 bitucas de cigarro, por dia em média, de acordo com informações da Autoridade para Condições de Trabalho (ACT).

O que poderia ser feito com essas guimbas? O questionamento foi feito por um aluno de graduação da UnB e, a partir dele, começaram as pesquisas. O resultado é um “case” de sucesso na área da reciclagem: transformar as pontas de cigarro em massa de celulose, que é a base para se fazer o papel.

O professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Suarez, conta que a universidade fez a pesquisa e licenciou a patente para uma empresa sediada em Votorantim (SP). É ela quem recolhe as bitucas de diversas empresas conveniadas e faz a reciclagem. Ele pontua que o recolhimento do material é feito apenas em pontos específicos de descarte, as chamadas bituqueiras. O professor alerta para o risco ambiental do descarte irregular dos restos de cigarro. “Recolher as bitucas que ficam no chão não é viável. É necessário que os fumantes tenham esta consciência na hora de jogar fora esse resíduo”, explica.

Paulo Suarez afirma que, junto com a gordura, as guimbas são um dos grandes motivos de entupimento de tubulações nas cidades, principalmente de águas pluviais. “Trata-se de um grande poluidor ambiental. A carga de compostos que ficam retidos no filtro e que é despejado no meio ambiente tem um potencial de poluição muito alto. Também tem de haver um trabalho de conscientização para que os fumantes deem esta destinação correta”, finaliza.

 

CURIOSIDADE

Como é o processo químico que recicla as bitucas?

Há vários componentes na bituca do cigarro: papel, filtro (composto de acetato de celulose), cinzas, restos de tabaco, entre outros. A partir daí é feito um processo de digestão alcalina e nesse processo o acetato de celulose é hidrolisado e ele volta a ser celulose. A celulose do papel que tem em volta do filtro é desagregada e o tabaco também sofre uma digestão alcalina, liberando a celulose contida. Resta uma massa sólida de celulose e um licor alcalino no qual os compostos da bituca – principalmente os mais tóxicos – serão dissolvidos, inclusive a cinza é dissolvida no licor alcalino. Resta, então, a massa de celulose, que se transforma em papel.