Notícias

Presidente do CFQ participa de painel virtual e defende sanitização contra Covid-19 e outras doenças

O presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), José de Ribamar Oliveira Filho, representou o Sistema CFQ/CRQs em um painel virtual organizado pelo Conselho Nacional de Climatização e Refrigeração (CNCR) para debater as condições sanitárias no que diz respeito ao retorno dos estudantes às aulas presenciais – o que, aos poucos, vem sendo retomado em todo o país.

Oliveira Filho levou ao público a mensagem de que a sanitização de ambientes, algo relativamente relegado a segundo plano no passado, é uma atividade que veio pra ficar em meio à pandemia e que assim permanecerá no período que vem sendo chamado “novo normal”.

“A sanitização veio pra ficar. Isso mostra a importância não só agora, como meio de prevenir, mas no pós-pandemia. Um efeito não percebido da sanitização é que ela não se limita ao Covid-19, mas a muitos outros patógenos. A sanitização vai garantir uma vida com bem menos doenças”, afirmou.

Em seguida, o presidente do CFQ fez um alerta sobre outras medidas, sem eficácia, que vem sendo adotadas por autoridades e empresários em várias cidades do Brasil: os túneis de desinfecção. Ele relembrou o histórico recente do Sistema CFQ/CRQs no combate às tentativas de criar leis que obrigam à instalação desse tipo de estrutura.

“É bom frisar, em relação aos túneis de desinfecção, que o CFQ se manifesta desde abril contrariamente a sua instalação. Temos agido em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No caso da cidade de São Paulo, encaminhamos ofício ao prefeito Bruno Covas (PSDB) e fomos ouvidos: ele vetou projeto da Câmara de Vereadores que ia na contramão da ciência”.

Presente ao mesmo debate virtual, o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (SIEEESP), Benjamin Ribeiro da Silva, afirmou que é preciso “haver um norma técnica, um protocolo estabelecido” para a gestão de ambientes de ensino. Ele disse ainda que a ideia de colocar túneis de desinfecção tem sido sedutora para muitos gestores de escolas, mas que é preciso ouvir a ciência nesse aspecto.

Presidente destacou proatividade do Sistema e combate a fake news

Oliveira Filho acrescentou ainda que a pandemia, apesar de seus efeitos devastadores, vai deixar um legado de valorização das soluções tecnológicas.

“A pandemia vai deixar um legado para nós, uma válvula propulsora para dar impulso digital. No Planejamento Estratégico que fizemos em 2018 já propunhamos um conselho digital, integrado com os CRQs, a pandemia demonstra o acerto na definição do rumo a seguir. Na pandemia, nossa forma de agir foi principalmente combater as fake news em favor da ciência séria. Existem pessoas que escrevem artigos e não são sérios. Estamos aqui pra tirar dúvidas. Solicitei que a Anvisa ampliasse o prazo da autorização para que todas instituições federais de ensino continuassem a fabricar álcool em gel para distribuição gratuita.  Pra que a gente consiga vencer a pandemia é importante que a gente consiga desenvolver a sanitização”, concluiu Oliveira Filho.

O presidente do CFQ foi questionado sobre algumas soluções alternativas de higienização de ambientes que prometem ação mais duradoura. Ele alerta que o resíduo geralmente é prejudicial e que tais soluções são duvidosas.

“Não conheço (soluções para sanitização mais duradoura). O que pode haver é, em hospitais e na ausência de pessoas, a utilização de luz ultravioleta para eliminar patógenos. Mas quanto aos tuneis de desinfecção, é importante dizer que o lançamento de produtos para desinfecção de pessoas inclui riscos. Não se pode brincar com desinfecção em pessoas, mesmo havendo uma recomendação da OMS de permissão em concentração baixa”, afirmou.

Além de Oliveira Filho e do presidente do SIEEESP, participaram do evento online Newton Victor, presidente do CNCR, Gerson Catapano, presidente da Sociedade Brasileira de Controle de Contaminação (SBCC), Mario Sérgio Pintos de Almeida, sócio fundador da Associação Nacional de Profissionais de Refrigeração, Ar condicionado, Ventilação e Aquecimento (ANPRAC), Paulo Martins, do Bureau Veritas e Ricardo Salles, membro do CNCR e diretor da SBCC, que mediou o debate.