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“Prazer, Ciência!” – Uma oportunidade de saber mais sobre a história da Química

Você conhece a história da Química?

Você sabia que os primeiros registros de Química na história são de uma mulher chamada Taputti Belatekallim, da Babilônia? De acordo com registros datados de 1200 a.c, Taputti adaptava equipamentos de cozinha e usava diferentes plantas para criar essências aromáticas. Há muitos registros também de mulheres egípcias que lideravam atividades de Química aplicada, segundo o livro “Women in Chemistry” (Mulheres na Química, 1998 – sem tradução para o português), de Marelene Rayner-Canham e Geoffrey Rayner-Canham.

“Mesmo sabendo disso, quando você pensar em um cientista provavelmente virá em sua mente a imagem de um homem branco, europeu e de jaleco”, alegam os estudantes de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF), Pedro Henrique Raposa e Emanuelle Malvão. Esse foi o argumento deles para transformar um projeto de extensão da faculdade em uma ferramenta de desmistificação da Química e divulgação da Ciência. O podcast “Prazer, Ciência!”, desenvolvido por eles, já tem 20 episódios gravados e disponíveis em diferentes plataformas. O programa tem como objetivo apresentar a Ciência de uma nova forma.

Os estudantes contam que, ao cursar a disciplina de história da Química, perceberam que a representatividade feminina na área se resumia à Marie Curie. “Foi um grande impacto, pois estávamos no ambiente próprio para estudar aquilo, a história da Química, e todos os cientistas que estudávamos eram homens, brancos e europeus”, conta Pedro.

“Se a química surgiu de uma mulher que não era branca e nem europeia, porque apenas conhecemos e divulgamos a ciência masculina, branca e europeia”? Essa foi a pergunta que impulsionou o início do projeto, segundo eles, que então partiram em busca de materiais e fontes para saber mais sobre o assunto.

“Quantas mulheres cientistas você conhece? E quantas delas são brasileiras?”, questionaram-se. E assim, Pedro e Emanuelle criaram o “Prazer, Ciência!”, podcast onde entrevistaram 14 cientistas convidados, dos quais 12 são mulheres de diferentes áreas e regiões do País.

“Nesse programa lutamos contra o negacionismo e o eurocentrismo científico. Precisamos lutar pela Ciência e pela Educação. Precisamos dar visibilidade e vida à essas mulheres que construíram a Ciência desde a Babilônia até hoje”, explica Pedro.

Os episódios são organizados da seguinte forma: Lado A, onde é apresentado a história de mulheres cientistas desde a antiguidade até o dia de hoje, e o Lado B, onde os estudantes dialogam com convidados sobre a Química e a Ciência na pandemia.

No Lado A, Pedro e Emanuelle falam sobre cientistas como a russa Julia Lermontova, que teve papel fundamental na construção da tabela periódica, a norte-americana Alice Ball, que desenvolveu o tratamento de lepra nos anos 40, e Johanna Döbenreiner, tcheca naturalizada brasileira que revolucionou a biologia, “entretanto ninguém a conhece ou fala dela ao estudar o ciclo do nitrogênio”, reforça Pedro.

Tem episódio com a participação da brasileira Nuccia de Cicco, cientista, carioca, escritora, dançarina e surda. “Ela foi uma convidada que tivemos a honra de conversar e compartilhar histórias e vivências dela. Comumente, quando pensamos em cientista, não nos remetemos a essa figura e acho que todo mundo deveria conhecer a história dessa mulher”.  O episódio que ela participa tem como título “A comunicação na Ciência”, onde falam sobre o uso de Libras no meio acadêmico brasileiro.

Alguns episódios contam com a participação de pesquisadoras e professoras falando sobre a questão de gênero e os desafios da mulher na área científica.

“Achamos importante falar também da atualidade, pois estamos num momento difícil do País, com muitas fake news e uma forte negação da Ciência. Portanto, o Lado B é para falarmos sobre a Química e a Ciência dentro da atual pandemia”, afirma Emanuelle. Ela conta que, ao ver como a Química estava envolvida na pandemia e perceber que o conteúdo estudado em sala de aula poderia ajudar no combate à disseminação do vírus, ela precisava passar essas informações adiante. “Eu queria explicar como as forças intermoleculares podem auxiliar no processo de redução da disseminação do vírus com o simples ato de lavar as mãos”.

No Lado B, entre os temas abordados estão “A química das máscaras”, “Vacinas”, “Água sanitária e a Covid-19”, “Peróxidos como agentes oxidantes”, “Sabões e detergentes contra a Covid-19” e outros que sempre falam do envolvimento da Química com a pandemia.

Pedro e Emanuelle reforçam que a ciência vem sendo propagada com uma linguagem pouco acessível e que, portanto, falar de Química no podcast é uma forma de desmistificar a área. “As pessoas têm a ideia de que a Química é um bicho de sete cabeças e que também é só laboratório, que não tem uma parte teórica, histórica. Ao falar de Química no podcast a gente tira todo o mistério, tudo o que as pessoas têm já montado na cabeça sobre a Ciência”, destaca Pedro. Emanuelle complementa que “a Química está por toda parte, está no nosso dia a dia e as pessoas precisam saber disso”.

Eles contam que estão satisfeitos com o resultado do trabalho e felizes por ver que pessoas de fora do país estão acessando. “Tivemos acesso de Portugal, do Japão, da Espanha e vários dos Estados Unidos”, comemora Emanuelle.

Com a intensão de ser usado como apoio em sala de aula, eles agora estão elaborando um livro com todo o conteúdo abordado no podcast. Além disso, também já escreveram artigos sobre o tema que pretendem publicar em breve.

Por fim, para eles, a ideia é continuar e produzir mais podcasts. “Valeu muito a pena fazer esse projeto, aprendemos muito e queremos fazer mais. Sabemos que temos muito assunto para abordar”, planejam os estudantes.

Para ouvir os podcasts, acesse:

https://linktree.com.br/new/prazer.ciencia