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Potencial explosivo do nitrato de amônio só ocorre em temperaturas muito elevadas

Substância pode ter sido responsável pelo acidente que chocou o mundo

O mundo assistiu perplexo às imagens da explosão na região portuária de Beirute, no Líbano, que matou pelo menos 78 pessoas e feriu outras 4 mil, segundo dados levantados até a manhã desta quarta-feira (5). As autoridades locais afirmam que, no armazém onde os primeiros estouros ocorreram, havia 2,7 mil toneladas do composto químico nitrato de amônio, um sal inorgânico utilizado como fertilizante na agricultura e na fabricação de explosivos. Mas o NH4NO3 sozinho poderia causar um acidente de tamanha magnitude?

Região da explosão.Foto: Hussein Malla/AP

O Sistema CFQ/CRQs esclarece que não. O produto é estável em sua composição e precisa de um agente iniciador para que ocorra a detonação. Sem um gatilho, como uma faísca, fogo, cordel ou espoleta, o composto não é detonado, sendo necessária temperatura extremamente alta para que uma reação explosiva aconteça.

No Brasil, esse composto é muito utilizado como explosivo em pedreiras. O presidente do Conselho Regional de Química da 12ª Região (CRQ XII), Luciano Souza, explica que o nitrato de amônio é parte de uma emulsão encartuchada usada para detonação de rochas, seguro, desde que não aquecido.

As informações divulgadas pela imprensa libanesa dizem que o gatilho da explosão foi um foco de incêndio no galpão vizinho. Quando superaquecido, o nitrato de amônio decompõe-se e a reação explosiva acontece, gerando um gás que se expande rapidamente, causando a chamada “onda de choque”. “Os efeitos que vimos são causados pela alta pressão do gás liberado por uma quantidade tão grande de material explosivo”.

Armazenamento correto é a chave

De acordo com o governo libanês, o produto estava armazenado no local há vários anos. Como a substância atende altas demandas, é comum que seja armazenado em grandes quantidades. Luciano Souza esclarece que, no Brasil, existem legislações específicas para o armazenamento de explosivos com especificações que precisam ser seguidas para que a segurança seja garantida. O Exército Brasileiro é o responsável por essa normatização do comércio, importação, comercialização e armazenamento do composto no país.

Uma das regras estipula que o produto não pode ser armazenado ou transportado em um mesmo depósito ou compartimento que contenha qualquer dos seguintes produtos ou resíduos: substâncias inflamáveis, acessórios ou iniciadores de explosivos, pólvoras de qualquer tipo, explosivos de qualquer tipo, alumínio em pó, magnésio em pó, metais pulverizados, serragem de madeira, enxofre, carvão vegetal, carvão, coque, combustíveis derivados de petróleo, graxas ou lubrificantes derivados de petróleo, óleos vegetais, gases engarrafados, acetileno, carbeto de cálcio (carbureto), éteres, cetonas, produtos químicos orgânicos e outras substâncias inflamáveis.

Além disso, o ambiente de armazenamento precisa ser construído dentro de normas técnicas que garantam, entre outras coisas, que não haja superaquecimento.