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Entrevista com Hans Viertler: “O indivíduo que para no tempo perde o bonde”

Hans Viertler é presidente do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV), cuja área de atuação é o Estado de São Paulo, mas já vem colaborando para a fiscalização, regulação e aprimoramento do setor há décadas. Ele é professor aposentado e colaborador sênior da Universidade de São Paulo (USP), responsável pela formação de várias gerações de profissionais.

Nascido em 1940 na cidade de Viena (Áustria), veio cedo para o Brasil. Graduado em Química pela Universidade de São Paulo (USP) em 1962, cursou uma especialização em Química Tecnológica no mesmo ano. Obteve ainda um doutorado em Química Orgânica pela USP em 1969 e um pós-doutorado na University of Ottawa (Canadá) em 1973. Desenvolveu toda a sua carreira nas áreas de ensino e pesquisa. Como professor, atuou por cinco décadas no Instituto de Química da USP, instituição da qual foi diretor de 2006 a 2010.

Viertler também presidiu a Sociedade Brasileira de Química (SBQ) no biênio 1994/1996, sendo até hoje conselheiro da entidade. Para homenageá-lo, em 2010 a SBQ criou o Prêmio Hans Viertler.

A seguir, trechos da entrevista sobre Química Verde que Viertler concedeu para o CFQ :

CFQ – O que é a química verde?

É uma forma de produção na área química com base em vários princípios cujo objetivo é obter os máximos rendimentos com os resíduos, que devem ser bem cuidados de modo a não prejudicar o meio ambiente.

CFQ- Qual o papel do CFQ e do CRQ IV na valorização da sustentabilidade?

O papel dos conselhos é no sentido de que os profissionais que estão trabalhando nas empresas estejam preparados e formados de modo que a ideia da química verde possa ser empregada. Que o profissional da área saiba dos princípios e tenha uma formação sólida em áreas correlatas.

CFQ- Como os alunos da USP entendem a química aliada à sustentabilidade?

Nós temos procurado em experimentos mostrar para os alunos a essência da prática. Nós reduzimos as quantidades de modo que a probabilidade de gerar resíduos seja muito pequena. Quando há resíduos, nós coletamos e depois tratamos adequadamente.

CFQ – Quais exemplos de química verde podemos citar como cases exemplares na indústria?

A chamada indústria 4.0 está totalmente alinhada a esses princípios. Há grandes usinas de açúcar e álcool que não utilizam energia elétrica convencional, apenas energia gerada a partir de resíduos da sua própria cadeia produtiva. Ainda podemos citar as aplicações dos namomateriais, o grafeno etc.

CFQ – Percebemos no estande do CFQ e do CRQ IV na feira Ecomondo, realizada em São Paulo, que os profissionais estão muito preocupados em aliar a química com a sustentabilidade. Como o senhor vê o futuro do setor?

Eu sou um otimista em todos os sentidos. O profissional sempre deve ter em mente que, depois de se formar, de receber o registro, nunca mais vai parar de se informar. Precisará sempre estudar mais para ver as novidades, de modo que apenas isso fará com os que os princípios da química verde possam ser usados plenamente. Porque o indivíduo que para no tempo, simplesmente perde o bonde.