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“Poderemos nos tornar melhores pessoas, menos egoístas e menos competitivas”

Um abnegado à Química e ao ensino dessa nobre ciência no estado do Ceará. Essa é uma maneira adequada para descrever o presidente do Conselho Regional de Química da 10ª Região (CRQ X), Cláudio Sampaio Couto. Diante de um conselho que conta com 2.275 profissionais e 1.439 empresas registradas, Sampaio Couto relata o momento difícil que as empresas do setor vivem em função da pandemia do novo coronavírus e aponta a necessidade de manter a esperança mesmo diante de um cenário adverso: ele não acredita que a recuperação da Química cearense se dê antes de 12 meses. Leia aqui a síntese da entrevista:

 

Como o Senhor caracterizaria a Química no Ceará? Quais setores são os mais representativos e que profissionais têm mais campo de atuação?

Cláudio Sampaio Couto – O setor industrial é muito diversificado, destacando-se os ramos de sabões, detergentes. Tintas, cosméticos, bebidas, têxtil e principalmente alimentos, constituídos principalmente por empresas de pequeno porte. No setor de serviços de natureza química, a área ambiental vem experimentando significativo crescimento. Assim, os profissionais com maior campo de ações são os que laboram nestes ramos, principalmente os da área de alimentos e meio ambiente.

E a atuação do CRQ X? Qual o maior desafio e qual a conquista que o senhor avalia como a mais importante?

Cláudio Sampaio Couto – A atuação do CRQ X prioriza a fiscalização do exercício profissional, sem descuidar do apoio às empresas e profissionais da Química, para o cumprimento de suas atividades. Os estudantes da área da Química também são apoiados, através de palestras nos seus respectivos cursos de graduação, esclarecendo sua importância e atribuições de futuros profissionais da Química. Entendemos como principal conquista do CRQ X sua manutenção e o importante papel desempenhado no desenvolvimento da Química no Ceará.

Como tem sido o enfrentamento da pandemia de Covid-19 no setor químico do Ceará?

Cláudio Sampaio Couto – Em obediência ao decreto do governo do estado do Ceará, o setor parou ou reduziu muito suas atividades, o que foi benéfico para o combate ao Covid-19. Esta paralização ocorreu na segunda quinzena de março e durante os meses de abril e maio, houve prejuízos para as indústrias, de ordem econômico-financeira e até no seu próprio crescimento com a perda de alguns de seus colaboradores. Contudo, acredito que com a abertura gradual das atividades, as empresas se recuperarão, a médio prazo, avalio em torno de 12 meses, conforme atividades iniciadas gradativamente a partir desse mês de junho.

Como descreveria a sua experiência pessoal na Química? E dentro do CRQ?

Cláudio Sampaio Couto –  Minha experiência profissional na Química foi satisfatória profissionalmente, mas não acumulei nenhum patrimônio material. Durante nove anos exerci atividade de profissional da Química em indústrias químicas, o que foi muito enriquecedor para meu desenvolvimento profissional. Durante seis anos, juntamente com dois colegas de profissão, participei do projeto de ensino dos conhecimentos de Química e tecnologia química a práticos que exerciam atividade em indústria do estado do Ceará, conforme plano de ensino elaborado pela Escola Industrial do Ceará, de 1964 a 1969. Foi um período muito enriquecedor, pela troca de experiência e capacitação de futuros profissionais da Química de nível médio. Durante 30 anos exerci atividades docentes na Universidade Federal do Ceará, contribuindo profissionalmente para a formação de muitos profissionais da Química das diversas categorias de nível superior. No CRQ X, a partir de 1984, minha trajetória foi de muita luta, algumas dificuldades e muitas vitórias, quando tive apoio dos funcionários, dos conselheiros e de profissionais da Química e do CFQ na pessoa do professor Jesus Miguel Tajra Adad que foi muito importante na consolidação deste CRQ.

Qual herança, qual ensinamento restará do enfrentamento dessa pandemia, para você e para os profissionais da Química? Há motivos para otimismo?

Cláudio Sampaio Couto – Entendo que enquanto não tivermos a vacina para neutralizar este vírus, continuaremos ameaçados pelas consequências dessa pandemia, embora a fase crítica já tenha sido superada. Todos nós devemos nos cuidar, especialmente os mais idosos, para não sucumbirmos. Mas acredito, que poderemos nos tornar melhores pessoas, menos egoístas e menos competitivas. Para nós profissionais da Química devemos continuar trabalhando unidos em prol de nossa profissão e pelo bem-estar da sociedade. No momento não vislumbro motivo para otimismo, mas também não vislumbro motivos para pessimismo. O momento é de expectativa, mas principalmente de esperança.

Qual mensagem o senhor deixaria a profissionais e estudantes de Química para o futuro?

Cláudio Sampaio Couto – Continuemos exercendo nossa profissão com zelo e dedicação, na certeza de que Deus nos ajudará a vencer esta pandemia.