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Pluralidade: Mesa Virtual com representantes de associações celebrou Dia do Químico

Em consonância com a pandemia global que nos afeta, o Dia Nacional do Químico de 2020 foi diferente, mas não menos caloroso e educativo: com convidados ilustres e representativos da pluralidade da Química no Brasil, o Sistema CFQ/CRQs realizou a mesa virtual “A Química e a retomada pós-Covid-19”, dentro da programação do Falas da Química – O novo futuro já começou.

Veja aqui a íntegra do evento:

Participaram da mesa, transmitida via YouTube e Facebook, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), Ciro Marino; a presidente da Associação Brasileira de Química (ABQ), Silvana Calado; a presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA), Juliana Durazzo Marra; o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), João Carlos Basílio; o presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (ASSOCIQUIM), Rubens Medrano; o ex-presidente e atual conselheiro da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), Norberto Peporine Lopes.

Na abertura do evento, foi exibida uma mensagem gravada pelo presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), José de Ribamar Oliveira Filho em que ele afirma “que o profissional da Química está por trás de tudo que se faz, que se produz” e que cabe aos conselhos “garantir à sociedade a segurança de que os produtos que ela consome são de qualidade e estão em conformidade com a lei, oferecidos por profissionais qualificados sob os pontos de vista técnico, legais e, sobretudo, éticos”.

Em seguida, o presidente José de Ribamar tratou de outro assunto impactante no universo da Química nesta semana: a morte do ex-presidente do CFQ Jesus Miguel Tajra Adad. “Obrigado, professor Jesus, pelo seu trabalho, competência e sobretudo pela suprema virtude de sua honestidade”, afirmou o atual presidente do CFQ, visivelmente emocionado.

Iniciado o painel principal, o presidente da ABIQUIM foi o primeiro a falar. Marino apresentou um panorama da produção industrial da Química durante a pandemia:

“De um modo geral, considerando setores que tiveram impactos maiores e menores por conta da pandemia, se pode dizer que as indústrias químicas mantiveram suas operações a 50% ou 60% da capacidade instalada. O que nos preocupou nesse período foi o excesso de produtos importados oferecidos à indústria química e aos clientes dessa indústria”, concluiu Marino. Segundo o presidente da ABIQUIM, há 10 anos o índice histórico de participação dos importados se mantinha na casa dos 30% – durante a pandemia, porém, esse percentual chegou aos 45%.

Medrano, da ASSOCIQUIM, desenhou um cenário em que o emprego não sofreu grandes percalços no setor químico, apesar das dificuldades.

“Ao longo do período, as empresas se portaram priorizando a saúde dos funcionários e tendo como a segunda preocupação o respeito à essencialidade dos serviços prestados. Mas o brasileiro é criativo. Em termos de desemprego, temos um treinamento muito eficaz e isso nos ajudou, se não a resolver o problema, a mitigá-lo. Hoje custa mais mandar dispensar um funcionário e readmiti-lo ou admitir outro em seu lugar. Os níveis de emprego estão sendo mantidos”, afirmou Medrano.

Basílio, da ABIHPEC, rememora o destaque que o setor de higiene e cosméticos atingiu em 2020.

“Nosso desafio era ser considerado uma indústria essencial. Somos um setor que sempre foi considerado cosmético, acessório. De uma hora para outra, a luta inicial nossa foi nos consolidarmos. E isso foi feito. Vejam só o consumo de álcool em gel. Era insignificante. Só considerada a produção de produtos de higiene, em 2019 ele representou meio por cento do faturamento. Eram pequenas empresas que atendiam esse mercado. Vinda a pandemia, o desafio era fazer com que pudéssemos ter os espessantes e tornar o produto gel acessível, já que era 100% importado. Em 60 dias conseguimos isso.”, saudou Basilio.

Juliana Marra, da ABIPLA, corroborou a fala do colega da ABIHPEC. Ela acredita que o principal legado da pandemia é a conscientização da sociedade para o valor da higiene e da limpeza.

“O assunto limpeza não era tão fácil de abordar. Agora ficou muito evidente o quanto somos essenciais. Todos sabíamos da importância da limpeza e sua relação com a saúde, mas tínhamos dificuldade em passar essa mensagem. Esse pra nós foi o maior legado, hoje em dia nem precisamos mais explicar”, disse Juliana.

Já Lopes, conselheiro da SBQ, abordou a participação do segmento de pesquisa no combate à Covid-19 e a preocupação mundial com a concentração dos parques de produção de matérias-primas da Química em poucos países.

“Nosso financiamento foi cortado, mas mesmo assim universidades conseguiram dar a resposta que foi dada graças aos investimentos anteriores. Não teríamos tido como, por exemplo, descobrir o sequenciamento genético do Sars-Cov-2 com tanta rapidez, o que foi muito importante”, lembrou Lopes.

Silvana Calado, por sua vez, trouxe uma reflexão sobre o futuro do ensino e do estudo da Química e a necessidade de produzir conhecimento de ordem popular, acessível à sociedade.

“A pandemia trouxe consigo a oportunidade de que a sociedade passasse a conhecer o trabalho dos profissionais da Química. Veja pelos produtos de higiene, que estão no auge… A população necessita esse conhecimento. As pessoas começam a entender que a Química salva vidas. A gente tem de ter cuidado para que esse conhecimento chegue de fato à população. Precisamos agora fazer da Química um tema popular”, afirma Silvana.

Entrevista sobre inovação e workshop sobre Linkedin fecharam painel

Depois da participação dos representantes de associações, a mesa virtual “A Química e a retomada pós-Covid-19” entrou na segunda etapa, uma entrevista com o especialista em inovação Monclair Cammarota.

Cammarota foi didático em “desmistificar” a inovação. Ela é vista constantemente como uma área ligada à tecnologia, mas ser inovador vai muito além de desenvolver soluções relacionadas a esse segmento.

“Há uma forma muito simples de falar de inovação no setor de negócios: é falar da capacidade de gerar dinheiro novo. Mas mesmo esse conceito é restrito e insuficiente: nas áreas sociais, por exemplo, esse conceito não faz muito sentido. Há um outro, mais adequado, de que inovar é um incremento, é uma melhoria a partir de algo que não existia antes. Mas observem, ela não pode ser apenas uma ideia, ela tem de ser funcional e ela tem de trazer benefício”, explica Cammarota.

O especialista foi além e usou o aplicativo de mensagens WhatsApp para explicar por que nem sempre se precisa de algo totalmente novo pra estabelecer grande inovação.

“Tenho um exemplo: todos estávamos acostumados a trocar mensagens por SMS. Quando chegou um aplicativo como WhatsApp, não mudou tanto assim. Ele trouxe duas ou três novidades. Mas olhe como conectar as pessoas muda tudo e as funcionalidades trazidas eram completamente diferentes, com os grupos, listas de transmissão e etc. Inovação vem de uma atitude, de querer realizar, e demanda a capacidade de exercitar a criatividade”, concluiu Cammarota.

O fechamento das três horas de evento online coube à psicóloga, especialista em Gestão de Pessoas e headhunter Suely Milanez. Ela ofereceu um treinamento sobre a rede social Linkedin, a mais usada para divulgação de profissionais e de oportunidades mundo afora.

Suely explicou a maneira correta de se apresentar na rede e como obter o selo de “perfil campeão” no Linkedin, o que aumenta e muito a chance de ser bem visto na rede. Ela falou ainda da importância de preencher os campos oferecidos pela ferramenta e detalhou maneiras de utilizar as palavras-chave corretamente e se destacar em meio à multidão que recorre ao Linkedin.

“A empregabilidade não se resume ao momento da busca pelo emprego, é algo que devemos cuidar durante toda a carreira. Quando se está muito bem posicionado dentro de uma empresa, é nesse momento em que a pessoa precisa cuidar mais da sua empregabilidade. É o momento em que ela precisa se expor mais, contar mais sobre seus feitos e resultados que alcança”, salienta Suely.