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Plenária debate o papel dos elementos químicos na economia mundial

Por ser a grande estrela da 42ª Reunião Anual da SBQ, a Tabela Periódica mereceu uma sessão temática exclusiva durante o evento. Coordenada pela professora do Instituto de Química da UFRJ e membro do Conselho Consultivo da SBQ, Claudia Rezende, a sessão comemorativa dos 150 anos da tabela trouxe questões relacionadas a elementos raros e aspectos educacionais. Foi uma grande oportunidade para revisitar o que é considerada a mais majestosa compilação de dados científicos existente na modernidade.

“Além de mostrar a beleza do maior documento da era moderna, também procuramos trazer um contexto econômico para o debate, como as terras raras e demais elementos que possuem forte apelo mundial”, declarou Claudia. A sessão foi segmentada em três divisões: a geopolítica dos elementos, terras raras e uso da Tabela Periódica para a divulgação da química na internet.

Nessa discussão, não seria possível deixar de falar sobre o mais badalado elemento do momento: o nióbio. Metal raro no mundo, mas abundante no Brasil, ele é considerado fundamental para a indústria de alta tecnologia. Com isso, sua demanda tem aumentado nos últimos anos e tem sido objeto de controvérsia e de uma série de teorias conspiratórias e mitos sobre a dimensão da sua importância para a economia mundial.

Segundo o relatório do Plano Nacional de Mineração 2030, o Brasil explora atualmente 55 substâncias minerais, respondendo por mais de 4% da produção global. Somos líderes mundiais apenas na produção do nióbio. No caso do ferro e do manganês, por exemplo, em que o país também ocupa posição de destaque, a participação na produção global não ultrapassa os 20%. Canadá e Brasil possuem dominância na produção, pois suas reservas são calculadas. Aqui, as reservas são da ordem de 842.460.000 toneladas e as maiores jazidas se encontram nos estados de Minas Gerais (75% do total), Amazonas (21%) e em Goiás (3%).

“Além de ensinarmos o conceito dos elementos, é importante levar para as salas de aula os assuntos relacionados ao tema como a economia. O Brasil possui várias jazidas de nióbio, logo, está no centro da discussão mundial”, avalia Claudia. Porém, suas aplicações ainda estão em discussão. “Para que avancemos nas descobertas, é preciso apoio técnico-financeiro. Nosso debate também traz essa questão, pois só com pesquisas seremos capazes de sermos verdadeiros protagonistas nesse segmento”, avalia a professora.

Atualmente, cerca de 90% do nióbio produzido é transformado em ferronióbio. Os 10% restantes dividem-se entre produtos direcionados a aplicações especiais. Os óxidos de nióbio são empregados na fabricação de lentes de câmeras fotográficas, baterias de veículos elétricos e lentes para telescópios. Resistentes ao calor, as ligas de nióbio de grau vácuo, com elevado nível de pureza, são matéria-prima para turbinas aeronáuticas, motores de foguetes e turbinas terrestres de geração elétrica. Já o nióbio metálico destina-se à produção de fios supercondutores que equipam tomógrafos, aparelhos de ressonância magnética e aceleradores de partículas. Produzido na forma de lingotes – cilindros maciços compostos por 99% do metal –, o nióbio metálico tem propriedade supercondutora e elevada resistência à corrosão.