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Plásticos e Nanotecnologia são destaques no segundo dia da Semana da Química do CRQ XIV

Integrando competências é o lema da Semana de Química 2021, promovida pelo Conselho Regional de Química da 14ª Região (CRQ XIV). Na noite desta quinta-feira (5), a conversa foi sobre plásticos e nanotecnologia, e como esses dois temas podem impactar no desenvolvimento econômico do País. O convidado para tratar o assunto foi o professor Marcos Marques, da Universidade Federal do Amazonas.

O Pólo Industrial de Manaus é um dos mais modernos centros industriais em toda a América Latina. Reúne cerca 600 indústrias de ponta nos segmentos eletroeletrônicos, duas rodas (motocicletas e outros), naval, mecânico, metalúrgico e termoplástico. A imponência da região marcou o início da fala do professor. 

“Desde os primórdios, o homem utiliza os materiais encontrados na natureza. E ele aprendeu a transformá-los, desde a argila, passando pelo cobre, bronze, e ferro. Isso é tão marcante que o tempo acabou sendo denominado pelos tipos de materiais utilizados à época, até chegarmos aos materiais sintéticos ou a Idade dos Materiais Inteligentes”, completou Marques.

Aproveitando o argumento, ele explicou que os materiais, hoje em dia, estão divididos em três grandes classes: poliméricos, metálicos e cerâmicos.

Os poliméricos são as resinas e fibras naturais (desde a Pré-História), a borracha natural (1839), a baquelite (1907), o nylon 66 (1939) e o teflon (1946). “De lá pra cá, a Química dos materiais poliméricos não para.” 

O professor ainda ressaltou a importância que o Ciclo da Borracha teve para o desenvolvimento econômico da região Amazônica.

De acordo com Marques, os materiais poliméricos apresentam um potencial para grandes aplicabilidades, pois possuem um baixo custo, pequena densidade, reatividade, e condutividade elétrica. “Nos primórdios da indústria automobilística tínhamos veículos extremamente pesados, densos, com maior inércia e maior consumo de combustível”, garantiu.

A expectativa dos consumidores em relação à indústria automotriz leva em consideração aspectos como baixo custo, comodidade e espaço, conservação ambiental, redução de consumo de combustível e segurança/qualidade,  segundo destacou Marques que, ainda, reforçou: “A consciência ambiental veio para ficar.”

Nanotecnologia

“Os polímeros tradicionais podem ser reforçados ou modificados com a incorporação de nanopartículas que conduzem a novos materiais em substituição aos metais, que leva à redução de peso, maior durabilidade e melhor funcionalidade”, salientou o professor.

Para Marques, a nanotecnologia é a habilidade para revolucionar produtos, processos e serviços com inovações “inimagináveis até recentemente”. “A nanotecnologia está trazendo um outro momento, tão rápido e de maneira onipresente (Ciência do Invisível, segundo Richard Feynman) em todos os setores da economia”. 

Para o cientista, a nanotecnologia é a arte, dentro do campo da ciência, para gerar superfícies. “As nanopartículas apresentam propriedades físico-químicas com relação ao tamanho e forma e uma alta fração de átomos de superfície.”

Os elementos na nanoescala são governados por uma física completamente diferente. Os nanomateriais são atraentes porque possuem uma função custo/rendimento, forças gravitacionais insignificantes, por exemplo.

O professor ainda apresentou os principais tipos de nanopartículas: carbônicas (ex: grafeno), metálicas, dendrímeros (nanopolímeros) e nanocompósitos.

As nanopartículas podem ser aplicadas na melhoria de tintas, baterias, pneus, indústria naval (agente anticorrosivo) películas para janelas e espelhos, vidro autolimpante, fármacos nanoencapsulados, vernizes e pinturas autorreparáveis.

O professor destacou o grafeno como um material promissor no mundo dos nanoprodutos. Na opinião dele, uma das aplicabilidades mais nobres seria em filtros para purificação e dessalinização da água do mar. “O céu é o limite”, finalizou o cientista.