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Pesquisadores trabalham em vacina spray contra a Covid-19

Equipe conta com profissionais da Química para desenvolver a imunização, que está na segunda etapa da produção

 

Uma equipe interdisciplinar da Universidade de São Paulo (USP) está trabalhando para desenvolver uma vacina por spray nasal para combater a Covid-19. A pesquisa, coordenada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas, reúne especialistas em nanotecnologia do Instituto de Química, virologistas, imunologistas do Instituto de Ciências Biomédicas e pesquisadores dos Institutos Pasteur e Butantan.

A fase que consiste no processo de produção da vacina já foi finalizada e agora está na etapa de produção do antígeno. É a partir dele que se dará a resposta imune do organismo e serão criados os anticorpos necessários para ação da vacina. A fase seguinte será a junção das duas etapas anteriores, quando se terá o material final, que é a vacina. A partir daí, serão feitos os testes in vitro, em seres vivos e pré-clínicos. Para garantir a imunização serão necessárias quatro doses – duas em cada narina, a cada 15 dias.

O professor Koiti Araki, do Instituto de Química da USP, trabalha na equipe que desenvolve a vacina. Ele explica que um produto complexo – como esse – precisa de várias mãos e cabeças para ser desenvolvido. E os Químicos têm um papel muito importante: eles atuam no desenvolvimento das estratégias para tentar gerar os componentes necessários.

“A equipe de Química tem a função de gerar as cápsulas que são utilizadas como veículos que transportam os antígenos e vão entregá-los de uma maneira mais segura e efetiva para o organismo, para que ele desenvolva a resposta imune”, explica. “Nós, como Químicos, estamos desempenhando esse papel de gerar novos materiais, que é essencial na criação de uma imunização completamente nova”.

Toda vacina tem o trabalho de um Químico

O profissional da Química tem grande importância em praticamente todo o desenvolvimento de uma vacina. Isso porque ele detém conhecimento do processo de produção e das condições que podem ser utilizadas para fazer as formulações. Tudo começa no processo de produção das moléculas, que é função do Químico. A partir do momento que se obtém as moléculas, as outras áreas começam a trabalhar.

Além disso, o trabalho desses profissionais permeia todo o processo de desenvolvimento da vacina. “No caso do desenvolvimento de aplicações, a participação do Químico em todas as etapas é muito importante porque é ele que vai dizer o que pode, o que não pode, quais são as condições mais favoráveis”, finaliza.