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Pesquisadores do Paraná desenvolvem técnica para um descarte mais sustentável para as bitucas de cigarro

Aquela velha e mal cheirosa bituca de cigarro que fica acumulada em cinzeiros pode ter uma utilidade mais nobre. É o que se propõe uma pesquisa coordenada pelo professor e chefe do Departamento de Química da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Andrelson Wellington Rinaldi, e seu aluno Rogério dos Santos Maniezzo. O professor de Química Rinaldi conta  que diante da necessidade de minimizar os efeitos de poluentes surgiu a possibilidade de dar um destino mais correto para as bitucas de cigarro,  transformando-as em purificadores de água – os chamados hidrocarvões.

“Conforme a célebre frase de Antoine-Laurent de Lavoisier: Na Natureza, nada de cria, nada se perde, tudo se transforma, podemos expor que de fato, a partir das bitucas de cigarros, que são lixo, podem ter uma  aplicação comercial, ou seja, agregando valores a este lixo”, diz o professor Rinaldi. 

De acordo com o estudante Rogério Maniezzo, o material estudado – hidrocarvão a partir de bitucas de cigarro – se mostrou promissor para o uso na adsorção de corantes em efluentes industriais. 

“O objetivo da pesquisa teve duas linhas. Primeiro, dar uma destinação correta e ambientalmente amigável para a bituca de cigarro. E segundo uma nova alternativa para adsorção de corantes e outros contaminantes de efluentes”, explica o jovem estudante de Química.

O professor esclarece que os hidrocarvões são materiais obtidos a partir do “cozimento” da biomassa em recipiente fechado, ou seja, faz-se uso de pressão e temperatura para modular as características do hidrocarvão. Ao final de todo o processo, o produto [hidrocarvão] apresenta uma alta capacidade de adsorção. 

“Os resultados obtidos com o emprego dos hidrocarvões oriundos de bitucas de cigarro foram publicados e patenteados. Outros materiais como a casca de noz pecan, casca de pinhão, também deram origem a hidrocarvões que apresentaram resultados extremamente promissores”, ressalta o professor.

Tanto o professor Rinaldi como seu aluno, fazem parte do Rinaldi Research Group, organização de pesquisa lotado no Departamento de Química, que  atua na vertente da saúde e do meio ambiente. Com referência a esse estudo específico, o grupo busca parcerias para produção, em larga escala, com a finalidade de colocar no mercado este projeto, já com dispositivos aplicados em sistemas de purificação de água.

“O próximo passo agora é viabilizar esse material para o mercado.  Participei de um evento promovido pela Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Sebrae-PR, Fundação Araucária, no qual o objetivo era dar mecanismos aos participantes de como empreender ou licenciar frutos de pesquisas que, no nosso caso, já realizamos o depósito de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)”, conclui Maniezzo.