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Pesquisadores desenvolvem substância capaz de tornar a quimioterapia menos agressiva

Grupo do Instituto de Química de São Carlos faz testes com a substância causadora dos efeitos colaterais 

A quimioterapia é um tratamento que utiliza medicamentos para destruir as células doentes que formam um tumor. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esses medicamentos se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo as células doentes que estão formando o tumor e impedindo também que elas se espalhem pelo corpo. Entre os medicamentos mais usados nesta terapia, está a doxorrubicina.

Essa substância pode causar efeitos colaterais que costumam variar em cada paciente, mas, em geral, são náuseas, queda de cabelo e perda de peso. Mas uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP), campus São Carlos, está desenvolvendo uma forma de tornar a quimioterapia com doxorrubicina menos agressiva.

A doutoranda em Química Talita Alvarenga explica que, inicialmente, foram testadas algumas substâncias químicas que já são conhecidas e utilizadas no tratamento de diversos tipos de câncer e que podem apresentar efeitos colaterais.

“O nosso estudo testou esses compostos em combinação com substâncias não citotóxicas, ou seja, que não causam danos significativos às células. Essas novas substâncias foram planejadas e desenvolvidas pelo nosso grupo de pesquisa. O intuito foi analisar se a combinação da substância com perfil citotóxico – no caso a doxorrubicina – com o novo composto (desenvolvido pelo nosso grupo) apresentaria mais eficácia na mesma concentração que a administração da doxorrubicina isolada. A substância criada faz parte do grupo das cisteíno proteases, que são enzimas que degradam outras proteínas”.

Até o momento foram realizados apenas os testes em células. Os resultados apontam que a combinação da doxorrubicina com a nova substância bioativa foi capaz de manter a sua eficácia, mas utilizando menor concentração.

“Esse resultado é interessante porque se for possível utilizar a doxorrubicina em uma menor concentração, seria possível diminuir os efeitos colaterais sem perder a eficácia do tratamento. No entanto, até o momento foram realizados apenas testes iniciais”, ressalta. Os próximos passos da pesquisa incluem estudos para compreender o mecanismo de ação das substâncias quando administradas em conjunto.