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Pesquisadores desenvolvem cimento odontológico que evita cáries e gengivites

Material antimicrobiano foi obtido por meio de nanotecnologia

 

Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP), da Universidade de São Paulo (USP), criaram um cimento odontológico que evita a proliferação de bactérias, fungos e vírus.

O material foi produzido com vanadato de prata nanoestruturado – produto químico fruto da união dos metais prata e vanádio, transformados no nível de nanoestruturas. O cimento, contendo as nanoestruturas, serve como uma barreira protetora para pessoas que usam aparelhos ou próteses dentárias.

A parceria da Odontologia com a Química surgiu com estudos acerca da possibilidade  de inovação nos materiais odontológicos utilizando nanomateriais desenvolvidos no Laboratório de Química do Estado Sólido (LQES) da Unicamp, coordenado pelo professor Oswaldo Alves. Em estudo realizado ainda em 2010, verificou-se que o vanadato apresentava uma atividade antibacteriana altamente promissora, quase 100 vezes superior ao antibiótico oxacilina.

Professor Oswaldo Alves

O LQES iniciou a colaboração com o Grupo da Professora Andrea Cândido dos Reis, da FORP, que se interessou pelas propriedades antibacterianas do vanadato de prata decorado com nanopartículas de prata. Alves explica que a necessidade de ter materiais odontológicos com propriedades antibacterianas sempre foi desejada mas nunca antes conquistada satisfatoriamente, o que mudou com a aplicação da nanotecnologia. “A atividade antimicrobiana promovida inibe a formação de biofilmes bacterianos, os quais são extremamente desfavoráveis para saúde bucal”, esclarece.

Os estudos sobre as possibilidades de uso da aplicação de vanadato de prata em odontologia devem continuar. A intenção é verificar a aplicação na fabricação de próteses dentárias por impressão 3D e a formulação de produtos com atividade antibiofilme para aplicações médicas tópicas, entre outras.

Além disso, desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, a equipe vem realizando testes com os materiais utilizados no cimento odontológico com objetivo de descobrir possíveis efeitos contra a Covid-19.

Os pesquisadores têm a expectativa de chegar a um novo produto com as propriedades necessárias para o combate ao SARS-CoV-2. O desenvolvimento foi patenteado conjuntamente pelas agências de inovação da USP e da Unicamp e, neste momento, aguarda o contato de empresas interessadas no licenciamento.