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Pesquisadores desenvolvem biofilme para tratamento de queimaduras

Material desenvolvido tem mais funcionalidades e melhor desempenho frente a fármacos convencionais

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em parceria com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), desenvolveu biofilme de sericina com propriedades terapêuticas para o tratamento de queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus. O biocurativo apresenta flexibilidade no tamanho e pode ser aplicado em superfícies com feridas de diversas extensões.

Biocurativo

Além de tratar a queimadura de uma maneira mais eficaz, apresenta uma estética diferente, com uma coloração que pode ser mais semelhante à cor da pele do paciente.

A pesquisa teve origem em 2013 no doutorado em Engenharia Química de Ana Paula Sone. Observando a alta frequência de casos de queimaduras no país e as dificuldades que envolvem o tratamento, ela decidiu incorporar sulfadiazina de prata ao biofilme produzido inicialmente. Isso conferiu ao material propriedades farmacológicas diferenciadas no tratamento de queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus. “A vantagem estética foi comprovada por meio da manutenção da cor do biofilme durante o tratamento. E também há as propriedades farmacológicas com maior tempo de atuação, o que é favorável ao tratamento”.

Ana Paula conta que, em todos os casos estudados, o biofilme possui maior funcionalidade e maior desempenho que os fármacos convencionais. Outros diferenciais do biocurativo é que ele possui propriedade de barreira para evitar a proliferação e controle de microrganismos, capacidade de manutenção da umidade e hidratação da ferida, o que contribui com o processo de regeneração das peles lesionadas por queimaduras.

O biocurativo também apresenta capacidade de diminuição dos traumas gerados no tecido ou na pele lesionada durante o processo de manutenção ou troca do biofilme. “Na pele lesionada, para trocar o curativo, é necessário retirar todo o produto convencional, o que acaba agredindo ainda mais a pele. Então, no caso do biocurativo, fica mais fácil de fazer esta troca, pois é mais fácil retirar este produto”, explica.

Para que o biocurativo possa chegar ao mercado, é necessário que se faça a prova de conceito nas condições ideais para produção em larga escala. Até o momento, o ele foi testado em escala laboratorial, mas precisa ser testado em seres humanos. Para isso, a universidade precisa de parceiros para financiar os estudos.