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QUIMCAST: Pesquisadores criam biofertilizante inteligente, baseado em nanotecnologia

Uma parceria entre o Instituto de Química (IQ) da Universidade de Brasília (UnB) e a Embrapa promete revolucionar a produção agrícola. O biofertilizante Krill A32 poderá tornar as produções menos vulneráveis às pragas – o que permitiria um uso reduzido de defensivos agrícolas. O Krill A32, além disso, permitiria um aumento no valor nutritivo dos alimentos.

A descoberta está sendo desenvolvida por estudantes de doutorado e professores da universidade, explorando a nanotecnologia. Puro, atóxico, não bioacumulável e luminescente, esse produto é capaz de enriquecer alimentos com micro e macro nutrientes e aumentar as produções de diversas culturas. Em testes feitos com tomate e alface, por exemplo, houve ganho de cerca de 20% na produtividade.

De acordo com um dos pesquisadores, o professor de Química Inorgânica Marcelo Oliveira Rodrigues, o grupo de cientistas conseguiu entender como funciona o mecanismo interno da planta, a rota bioquímica. “Com a nova tecnologia, conseguimos perceber o incremento nas taxas de fotossíntese em cerca de 60% e aumento no lançamento de raiz, que é o crescimento de novos ramos nas laterais da raiz original, que varia conforme a cultura – no caso do tomate, em torno de 130% e no do cacau, 60%. É um material de alta performance, leve e puro”, explica.

Outro diferencial do novo produto é o volume que deve ser aplicado nas plantas: como se trata de material puro, a quantidade é muito menor que o habitual. Os biofertilizantes atualmente utilizados no mercado, segundo o docente, são uma mistura complexa, que engloba extrato de microalgas, micro e macronutrientes, além de aminoácidos. “Não se sabe exatamente o mecanismo de ação desses produtos, o que está ativando a fotossíntese, entre outros”, declarou. “Por outro lado, conhecemos todos os mecanismos de ação da nossa tecnologia e isso facilita na hora de fazer ajustes na formulação visando potencializar ainda mais os efeitos. É completamente diferente do que está sendo vendido. É revolucionário”, avalia o professor.

Especialista na área, o pesquisador de solos e nutrição de plantas da Embrapa Hortaliças Juscimar da Silva ressalta as qualidades do produto diante do que há no mercado. “Além de funcionar ativando rotas metabólicas secundárias na planta que a ajudam a se desenvolver, com aumento de eficiência do uso da água, aumento da taxa fotossintética e o uso mais eficiente de nutrientes, também funciona como um carreador de outros nutrientes, podendo trabalhar a melhoria da nutrição humana. Essa multifunção do produto talvez seja o grande diferencial dele no mercado, junto com a explicação do mecanismo de ação”, avalia.

A pesquisa também conta com o conhecimento dos professores Daniel Zandonadi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Jader Busato, da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB. Também participam os doutorandos Carime Rodrigues e Rogério Faria. “Nosso sonho é conseguir aumentar a produtividade de áreas desmatadas e como temos experiência na área de engenharia de superfície da nanopartícula e também conseguimos introduzir nutrientes nos alimentos, isso teria impacto significativo na erosão alimentar”, projeta Carime, que é bolsista da Capes. As patentes estão em fase de depósito. Somente após a conclusão deste processo, seus criadores poderão ir atrás do registro para comercializar o biofertilizante inovador.

Com informações da Secom UnB

Foto: Marcello Casal Jr – Agência Brasil