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Pesquisador alerta para os impactos ambientais em Barcarena (PA)

Durante palestra, engenheiro químico mostra o histórico de acidentes na região

A apenas 36 quilômetros de distância da capital Belém, está a cidade de Barcarena, considerada o portão de entrada do Pólo Araguaia/Tocantins. Por seu território passam os rios Moju, Murucuri, Acará e Barcarena. Possui, ainda, a ilha Trambioca, o Furo do Carnapijó, o Igarapé Cabresto e a Baía de Marajó. Repleto de belezas naturais, o município também amarga um histórico de acidentes ambientais com prejuízos diretos à fauna, flora e população. Para falar sobre esses impactos, o pesquisador do Instituto Evandro Chagas, Bruno Santana Carneiro deu a palestra “Impactos Ambientais Decorrentes da Atividade Industrial em Barcarena” durante o 16º EPQA, na manhã desta quinta-feira (12/09).

Barcarena tornou-se um polo industrial com várias fábricas instaladas ao seu redor, sendo a produção do caulim a sua principal atividade. Por isso, o instituto, ligado ao Ministério da Saúde, faz o monitoramento de toda a área da cidade e estuda os efeitos de cada acidente na saúde da população e no meio ambiente.

Segundo o levantamento, a cidade sofre com as ocorrências desde 2001. Foram desde rompimento de dutos de fábricas, até vazamentos de produtos químicos no leito dos rios e emissão de partículas tóxicas no ar. Um dos acidentes mais recentes ocorreu em fevereiro deste ano, onde foi registrado o vazamento de rejeitos de bauxita na barragem de uma mineradora. O caso ganhou repercussão internacional e o Ministério Público estadual recomendou o embargo de novas licenças da empresa até o mapeamento do alcance do desastre.

“Barcarena possui um grande potencial econômico com perspectivas de instalação de novas indústrias. Isso é bom para o desenvolvimento da região, mas também requer atenção. É meio forte dizer isso mas a cidade, hoje, é um barril de pólvora”, declarou Bruno. Ele acredita que apenas com a iniciativa dos órgãos ambientais e de fiscalização, os problemas poderão diminuir. O Instituto Evandro Chagas, atualmente, possui um grande acervo de pesquisa desses acidentes e monitoramento, que podem ajudar as autoridades.

Apesar dos problemas, Bruno vê no ecossistema o grande salvador da região. “Segundo nossos acompanhamentos, tudo o que acontece hoje em Barcarena, daqui a três dias está completamente diferente. Qualquer impacto gerado, ele tem capacidade de reverter”, explica Bruno. Porém, ele faz um novo alerta. “É importante frisar que em algum momento esse ecossistema pode saturar. Sua capacidade de recuperação vai ficando cada vez mais reduzida”, alerta.

Além da coleta de amostras de água dos rios para monitoramento, o instituto também sugere ações, como a interação de vigilância ambiental na área industrial e portuária, que permita avaliar a curto e longo prazo os riscos para a saúde e qualidade de vida da população. Entre as conclusões chegadas até o momento, o instituto já aferiu que a qualidade da água para consumo é comprometida em algumas áreas, assim como há evidências de acúmulo de metais tóxicos nos sedimentos dos rios após os sucessivos desastres.