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Pesquisa transforma canais de bambu em condutores elétricos

Fabricação de microcanais com alta condutividade elétrica abre caminho para o uso em dispositivos eletrônicos e eletroquímicos

Uma pesquisa conduzida por três doutores em Química descobriu que a complexa estrutura vegetal do bambu pode ser um ótimo condutor elétrico. Por meio dela, é possível instalar microcircuitos integrados capazes de acender luzes, atuar como sensores e até aquecer água.

Os cientistas observaram que o bambu apresenta uma grande quantidade de microcanais da espessura de um fio de cabelo, perfeitamente alinhados. O uso de sofisticados equipamentos de microscopia eletrônica permitiu mapear com precisão toda a estrutura e abriu possibilidades de usá-las para construir circuitos elétricos e dispositivos eletroquímicos integrados.

O trabalho está em andamento sob responsabilidade dos pesquisadores Mathias Strauss e Murilo Santhiago, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em parceria com Omar Ginoble Pandoli, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

O professor Mathias explica que a ideia é aplicar a nova funcionalidade do bambu em casas inteligentes e sustentáveis. “Podemos ter o bambu fazendo parte de circuitos elétricos: iluminação, aquecimento de água e ambiente. Na mesma estrutura, conseguimos verificar se a água está segura ou se o ar tem algum contaminante”.

A enorme dificuldade e o custo de se usar meios convencionais da indústria para fabricar microestruturas com este arranjo e dessa dimensão micrométrica estão entre as principais vantagens de se aproveitar do bambu para construir esses circuitos elétricos.

Além disso, Murilo ressalta que o bambu já é conhecido pelo apelo sustentável e traz muitas vantagens para quem decide utilizá-lo. “Há espécies que crescem muito rápido e isso torna o material abundante na natureza e de fácil cultivo”, aponta.

A pesquisa agora vai explorar formas de usar a estrutura de microcanais para armazenar energia dentro da estrutura do bambu. Outra possibilidade que será explorada é a transmissão de dados, como se fossem fibras óticas. “Teremos a casa completa funcionando à base de bambu: a casa feita do vegetal, com circuitos elétricos, que consegue armazenar energia solar e ainda transmite dados. Tudo por meio do bambu”.

As expectativas em torno do projeto são promissoras e os pesquisadores já patentearam o processo. O potencial tecnológico do trabalho rendeu a publicação de artigo no Journal of Materials Chemistry A, da Royal Society of Chemistry (RSC) no mês passado. Confira aqui.