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Painel online do CFQ tratou do novo Marco Regulatório do Saneamento

Debate expôs oportunidades e a realidade dos profissionais em meio ao setor

Em continuação à série de debates online organizados pelo Conselho Federal de Química (CFQ) no painel Falas da Química, na noite de quinta-feira (20/08) foi a vez de se discutir “O papel do profissional da Química no Novo Marco Regulatório do Saneamento”. A atividade apresentou como mediador o presidente do Conselho Regional de Química da 21ª Região (CRQ XXI), Alexandre Vaz Castro, e como debatedores Gandhi Giordano, conselheiro do CRQ III, Mônica Perim, engenheira química e especialista no assunto, e Leandro Melo Frota, presidente da Comissão Especial de Saneamento, Recursos Hídricos e Sustentabilidade da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O novo Marco Regulatório do Saneamento é uma pauta aprovada recentemente pelo Congresso Nacional e que suscita polêmicas e discussões acaloradas. O enfoque proposto no Painel, porém, foi o de enquadrar o profissional de Química nesse novo contexto: o Brasil tem uma carência histórica de infraestrutura em coleta de esgoto e oferta de água potável e o novo Marco é a aposta para que o setor atraia interessados na iniciativa privada capazes de aportar os recursos que tirem muitas regiões do país de realidades similares às da Europa e dos Estados Unidos no século XIX. Do ponto de vista laboral, em muitos Estados do Brasil hoje o segmento de tratamento de água e de efluentes já é um importante empregador de profissionais da Química – uma realidade que tende a se potencializar, e muito, com os investimentos esperados para a área.

Para Gandhi Giordano, chama atenção no novo Marco Regulatório a dimensão do desafio – uma vez que a proposta expõe metas claras e objetivas a serem perseguidas pelo setor até a próxima década, incluindo o atendimento a comunidades rurais e mesmo indígenas longe dos grandes centros.

“Temos que ter pessoas, químicos, atendendo numa estação de tratamento, num laboratório, mas também as pessoas que têm seu próprio sistema. Muitas vezes, essas unidades não têm valor de mercado e outras, nem se dá importância ao assunto. A verdade é que há pessoas que não se dão conta de que seu corpo é 70% água e que a água precisa ser potável”, alerta Giordano, que acrescenta ter visto muitas vezes falta de atenção inclusive nas estações de tratamento de maior porte – protocolos de conduta não mais aceitáveis de acordo com o proposto pelo novo Marco.

Já Mônica Perim aproveitou para compartilhar um pouco de sua experiência efetiva nas estações de tratamento, da dificuldade imposta ao profissional da Química hoje em dia por conta do volume de trabalho e a exigência de eficiência. Ela atuou no abastecimento de água em Cachoeiro do Itapemirim e narrou a realidade vista lá, comum a outras cidades brasileiras.

“Quando cheguei lá, sem conhecer a realidade, vi um laboratório sucateado, uma estação precisando de reformas e aí fui conhecendo, devagarinho. Coisas que eu havia aprendido na Vale eu fui aplicando aos poucos lá. Conhecer é muito importante. As duas estações eram pequenas, as pessoas diziam que faltava água. Até que um dia resolvi perguntar pro comercial quanto era faturado de água e descobri que a perda era de 60%, havia vários problemas. Nos reservatórios, nos hidrômetros… Tinhamos problemas com outros setores, órgãos públicos que não pagavam água”, relatou Mônica, fazendo um apanhado da realidade que, espera-se, vai deixar de existir no novo momento oferecido pelo Marco Regulatório.

O representante da OAB no debate, Leandro Melo Frota, se disse um entusiasta da nova legislação.

“O marco traz possibilidades reais para todos os tipos de profissional, de todas as idades e experiências. Estamos falando de aproximadamente R$ 700 bilhões em investimentos, ambientais, de infraestrutura, com concursos públicos, pra Agência Nacional de Águas (ANA) exercer o papel de destaque que dela se espera. Pra quem é jovem, tenham certeza que o Marco, que trata da infraestrutura mais atrasada de todas, posso aqui brincar que o saneamento é o novo Pré-Sal brasileiro”, afirmou Frota.

Falas da Química

Criada em junho deste ano, a série Falas da Química – O novo futuro já começou tem o objetivo de valorizar o trabalho realizado pelos profissionais da Química no país e disseminar o conhecimento sobre os temas da área, por meio do compartilhamento de informações confiáveis e experiências. A iniciativa é voltada aos profissionais da Química, formadores de opinião, jornalistas e público em geral.

 

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