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Painel Digital do CFQ celebra Dia Mundial da Água debatendo papel dos profissionais

Para celebrar o Dia Mundial da Água, 22 de março, o Sistema CFQ/CRQs promoveu uma nova edição do ciclo de debates online Falas da Química com o tema “Da água bruta à água tratada: o papel do profissional da Química”.

No Painel Digital, que teve como mediador o presidente do Conselho Regional de Química da 21º Região (CRQ XXI), Alexandre Vaz Castro, o propósito foi esmiuçar a atuação desses profissionais em todo o processo que envolve a gestão da água para o consumo humano. Para isso, foram convidados a debater Tiberê Samuel Rodrigues, docente do Centro Paula Souza nas ETECs de Jundiaí (SP), Fátima Ferraza Bragante, bacharela em Química com Atribuições Tecnológicas e Jonas Comin Nunes, Conselheiro Federal de Química.

No princípio do Painel Digital, foi exibido um vídeo produzido exatamente para dar a dimensão da importância da água para a existência da vida e o quão rara ela é na natureza – embora abundante no planeta, quando se fala da água doce se faz referência a apenas 3% do total. Garantir a potabilidade e o uso seguro do produto mais nobre para a vida humana é uma missão importantíssima e que cabe à Química e a seus profissionais.

Na abertura do evento, Tiberê Rodrigues apresentou um panorama sobre como a sociedade consome essa água. Ele descreveu que cada pessoa consome em torno de 200 litros de água por dia e que a quase totalidade disso retorna à sociedade na forma de águas residuárias (efluentes). Ele destacou ainda a existência dos SACs, as “Soluções Alternativas Coletivas”, que produzem água para empresas, por exemplo.

“Quando falamos de soluções alternativas coletivas de abastecimento de água, sem sombra de dúvidas, a maior parte dessas soluções tem como fonte de abastecimento a água subterrânea”, afirmou Tiberê.

Ele alertou para um aspecto muito importante, de que mesmo quando se trata de uma SAC, portanto uma solução alheia à rede de distribuição regular de água, o papel do profissional de Química é fundamental na proteção da sociedade.

“Entre deveres e responsabilidades do técnico habilitado para atuar na produção da água potável está o dever de fornecer à autoridade de saúde pública os dados de controle da qualidade da água”, afirmou, lembrando ainda que a Consolidação nº5 do Ministério da Saúde de 3 de outubro de 2017, no anexo XX, estabelece que cabe ao responsável técnico “contribuir com a proteção de mananciais de abastecimento e das bacias hidrográficas”, bem como “comunicar a autoridade de saúde quaisquer alterações na qualidade da água”.

Já Fátima Bragante, por sua vez, apresentou de maneira elucidativa como se dá o processo envolvido na potabilidade da água utilizada em um sistema público de grandes dimensões – no caso, o funcionamento da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Alto da Boa Vista, mantida pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Fátima citou que o processo de análise da água exige muito do profissional da Química: no exemplo apresentado, são 12 pontos de monitoramento do processo perfazendo mais de 17.000 ensaios laboratoriais por mês. “Nossa responsabilidade não termina na estação de tratamento, ela vai até a água que chega na ponta, na torneira do consumidor”, assinalou.

Conselheiro aponta necessidade de carga horária para exercer função

Já o conselheiro Jonas Comin trouxe uma visão focada na vigilância em saúde no que se refere ao fornecimento de água. Ele tratou do SISAGUA, o Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano, e lembrou que a legislação consolida a exigência de um profissional da Química para o controle da qualidade da água, assegurando a saúde do consumidor e evitando a transmissão de doenças. “O tratamento da água para consumo humano é uma atividade privativa dos profissionais da Química”, afirmou Comin.

Para que a responsabilidade técnica seja efetiva, segundo o Conselheiro Federal, os Conselhos Regionais de Química (CRQs) têm fiscalizado os sistemas de tratamento e distribuição de água, verificando a presença dos profissionais da Química.

“A responsabilidade técnica é a posição que o profissional da Química assume perante os órgãos reguladores e a sociedade, a fim de garantir que os produtos ou serviços sejam elaborados e executados com conhecimento técnico-científico”, concluiu Comin.

Mais de 2,7 mil pessoas assistiram Falas da Química sobre a água

Um dos destaques desta edição do Falas da Química foi a audiência. Durante a live, o pico de espectadores foi de 650 pessoas e 696 visualizações; Desde então, o evento online atraiu 2,7 mil pessoas – 1,5 mil espectadores únicos, garantindo ao canal do CFQ no Youtube 182 novos inscritos.

No chat, marcaram presença estudantes e profissionais de vários Estados, com 832 mensagens trocadas. O formulário de avaliação do evento obteve 970 respostas – 569 pessoas responderam o questionamento relativo ao tema a ser tratado na próxima edição do Falas da Química.