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“Os saneantes são a primeira vacina contra a Covid-19”

Durante painel digital da série Falas da Química, especialistas esclareceram pontos relacionados ao uso de produtos e à legislação desses itens

“O mundo todo está percebendo a importância e a necessidade dos saneantes que, no meu entendimento, são a primeira vacina contra a Covid-19”. Essa foi uma das afirmações do coordenador de saneantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Webert Gonçalves de Santana, nessa segunda-feira (20), ao participar do painel digital Covid-19: o papel da Química no retorno às atividades.

Promovida pelo Conselho Federal de Química e os Conselhos Regionais (Sistema CFQ/CRQs), a ação foi transmitida no canal do CFQ no YouTube e na página no Facebook, e integra a série Falas da Química – O novo futuro já começou.

No painel mediado pelo presidente do Conselho Regional de Química da 3ª Região (CRQ III) e reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Rafael Almada, as questões sanitárias envolvendo a retomada das atividades pós-isolamento social foram debatidas.

Um dos temas foi o papel da Anvisa nesse cenário de pandemia. Nesse sentido, Webert Santana destacou que a agência tem trabalhado para agilizar a fila de análise de produtos saneantes utilizados no combate ao novo coronavírus, como água sanitária e saneantes de uso hospitalar.

“Logo no início, quando ocorreu o desabastecimento de álcool em gel no mercado, fomos provocados por empresas e órgãos públicos a respeito. Assim, aprovamos a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 350/2020”, lembrou Santana.

A RDC definiu critérios e procedimentos extraordinários e temporários para a fabricação e comercialização de preparações antissépticas ou sanitizantes sem prévia autorização da Anvisa, para empresas já registradas na instituição, facilitando que empresas que antes não trabalhavam com o produto, passassem a produzir. Além disso, com a resolução, as ações da campanha Química Solidária foram concretizadas, uma vez que universidades e institutos federais foram liberados para a produção de álcool para doação.

O papel da Química e dos seus profissionais no combate ao novo coronavírus foi destaque na fala dos painelistas. Segundo Rafael Almada, com a pandemia, o trabalho dos químicos ganhou visibilidade. “O papel do profissional da Química é tão importante para a fabricação de produtos eficientes, como o álcool, quanto para os esclarecimentos no uso desses produtos”.

Já o painelista Orion Carreira Filho, técnico da Vigilância Sanitária e Ambiental do Estado da Bahia, afirmou que existe uma preocupação, desde o início da pandemia, com a qualidade dos produtos. Na Bahia, disse ele, a vigilância sanitária direcionou inspeções, coletando materiais e encaminhando ao laboratório central.

No painel, foi abordada ainda a importância dos químicos na área da saúde. “A Química realmente está em tudo. Os hospitais salvam vidas com oxigênio, mas, também, se não estiver na dosagem correta, não será eficaz”, exemplificou Orion Filho.

O mediador, Rafael Almada, ressaltou que o trabalho desenvolvido pelo Sistema CFQ/CRQs tem contribuído para “derrubar o estereótipo do químico isolado em laboratórios e mostrado esse profissional cada vez mais ativo na solução direta de problemas da sociedade”.

Túneis de desinfecção

O noticiário tem mostrado que municípios, empresas, estabelecimentos e até personalidades públicas instalaram túneis de aspersão de produtos saneantes para desinfecção de pessoas.

O assunto, abordado em nota conjunta divulgada no dia 29 de abril pelo Sistema CFQ/CRQs e a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (Abipla), continua gerando preocupação. Isso porque não há comprovação científica da eficácia e segurança desses equipamentos.

O assunto foi destacado pelo químico industrial Ubiracir Fernandes Lima Filho, da Comissão Técnica de Química Farmacêutica do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV).

“A eficácia dos produtos depende da formulação e instrução de uso. No caso dos túneis de desinfecção, se eu tenho um uso diferente do previsto em testes realizados anteriormente, não consigo comprovar a eficácia do mesmo produto”, afirmou.

Ele explicou que, embora os produtos já tenham passado e sido aprovados em outros testes de uso, não há garantia de que em equipamentos de aspersão haverá tempo de contato suficiente para eliminação da carga viral e bacteriana e nem que esse contato será seguro, pois haverá contato com vias respiratórias e mucosas.

Sobre o assunto, o representante da Anvisa reforçou que, na legislação brasileira, o uso de saneantes é específico para aplicação em superfícies e objetos inanimados. Ele afirmou, durante o painel, que não há registro junto à agência de nenhum saneante liberado para este tipo de aplicação.

Novas tecnologias

O surgimento de novas tecnologias que estão buscando soluções para reduzir os impactos da pandemia da Covid-19 passa em grande parte pelos laboratórios químicos.

Recentemente, pesquisadores revelaram ter criado um tecido que neutraliza o novo coronavírus utilizando nanopartículas de prata na produção têxtil. Sobre o assunto, Webert Santana disse que, apesar de promissores, no momento, não há produto aprovado pela Anvisa.

Ubiracir Lima Filho lembrou que “a aplicação dos materiais está evoluindo, então precisamos acompanhar testes de eficácia, segurança e estabilidade”.

Falas da Química

Criada em junho deste ano, a série Falas da Química – O novo futuro já começou tem o objetivo de valorizar o trabalho realizado pelos profissionais da Química no país e disseminar o conhecimento sobre os temas da área, por meio do compartilhamento de informações confiáveis e experiências. A iniciativa é voltada aos profissionais da Química, formadores de opinião, jornalistas e público em geral.

Assista: