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Os desafios das lavanderias industriais

Lavando roupa suja. Isso mesmo, este foi o tema da live da última quinta-feira (10) do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV) no seu perfil no YouTube. A lavagem de roupas sempre teve um papel importante na higiene pessoal, doméstica e em ambientes laborais. Porém, a evolução dos hábitos de consumo da sociedade nos anos recentes, criou a necessidade de produtos e procedimentos de lavagem diferenciados.

Nos dias atuais, o serviço de lavanderia industrial surge como uma oportunidade crescente para empreendedores e prestadores de serviço, tanto em espaços laborais como em substituição gradual na esfera doméstica. 

“A lavanderia industrial moderna é um sistema mecanizado e automático de lavagem dedicado ao mercado institucional, lavando roupas, uniformes, utensílios de restaurantes, hotéis, escolas, hospitais, instalações fabris, entre outros”, explicou o palestrante Jefferson Guilherme Nascimento Santos, bacharel em química pela Universidade de São Paulo e membro da Comissão Técnica de Química Farmacêutica e coordenador da Comissão Técnica de Saneantes do CRQ-IV.

Para o químico, a redução das habitações urbanas está levando a criação das lavanderias comunitárias em condomínios, onde tudo começou de forma coletiva na Idade Média.

“O conceito de lavanderia surgiu no mundo na época da Idade Média, onde existiam, na Europa, os espaços comunitários. Havia dois tipos de lavagem de roupa. Uma semanal para higienizar, principalmente, a roupa íntima, que eram feitas de fibras naturais. A outra maneira era a grande lavagem feita à quente, bimestral ou trimestral com ajuda das amas, na Idade Média”, contextualizou o palestrante.

Ainda de acordo com o químico, este costume perdurou até a Segunda Guerra Mundial, quando se tornou mais comum a água encanada e o deságue por esgotos nas grandes cidades europeias. “Depois dos anos 1950, a lavagem doméstica se sofisticou com a produção das primeiras máquinas de lavar para utilização nos lares.

Segundo Jefferson Santos, a partir da década seguinte, novas tecnologias foram incorporadas para formular produtos domésticos, aproximando a lavagem caseira da lavagem industrial.

“Passamos a ter detergentes sintéticos no lugar do sabão, branqueadores óticos, uso de enzimas e safe bleach, amaciantes de roupas, facilitadores de passar e produtos de pré-tratamento”, comentou.

O químico afirmou que os desafios da lavagem industrial passam por oferecer conveniência e conforto para os clientes, atender diferentes nichos de mercado, manter preços atraentes e acompanhar a evolução de tecnologia e legislação. 

A partir dos anos 1990, começou a dissociação de produtos e máquinas de lavagem doméstica da imagem da mulher moderna. 

Segundo o especialista, o consumidor perde o envolvimento com o processo de lavagem de roupas com o aparecimento de roupas mais acessíveis e descartáveis, retirada de fosfatos e uso de tensoativos biodegradáveis, menor nível de sujidade, roupas mais resistentes e menos necessitadas de tratamentos adicionais.

É neste período que os fabricantes de produtos de lavagem deixam de ser os grandes anunciantes nos veículos de comunicação.

Houve também uma internacionalização de conceitos e produtos com cuidados com o meio ambiente e a saúde do consumidor (alergias na pele).

Já Ubiracir Fernandes Lima, que foi membro do corpo técnico da Anvisa e acompanhou na instituição a atualização da legislação e a criação de novos produtos, enfatizou que a lavanderia hospitalar é bem fundamentada na legislação brasileira. “Tem que cumprir algumas regras, comprovar eficácia, por exemplo, microbiana”, ressaltou. 

Assista à live completa em https://www.youtube.com/watch?v=6kHDr0uPFv4