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Os caminhos para salvar o Planeta Água foram tema de debate na 42ª Reunião da SBQ

Sem água, não há vida. Motivo mais que legítimo para o tema da Sessão Temática “A Água para um Desenvolvimento Sustentável”, durante a 42ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), evento realizado em Joinville (SC). Os professores Artur de Jesus Motheo (IQSC-USP) e Wilson de Figueiredo Jardim (UNICAMP) falaram sobre a necessidade de investimentos em pesquisa aplicada para reuso da água e criação de ações reais de sustentabilidade dos recursos hídricos.

Ao comentar sua apresentação no evento, sobre o reuso da água viabilizado pela eletroquímica, o professor Artur de Jesus Motheo (IQSC-USP) lembrou que atualmente já existem tecnologias capazes de entregar resultados totalmente satisfatórios. Porém, em sua opinião, um longo caminho ainda separa a aplicação da tecnologia eletroquímica em escala industrial, capaz de levar seus benefícios até o filtro de água de uma residência comum. Para ele, vontade política é fundamental para alavancar projetos na área. “As grandes empresas não se interessam por investimentos deste tipo, a menos que os lucros sejam muito altos. Uma saída seria buscar a parceria de pequenas e médias empresas como usuários finais”, sugere.

“Na eletroquímica, são os elétrons que atuam com a função dos reagentes químicos”, explicou Motheo durante sua exposição. O professor cita o clássico exemplo da eletrólise, um dos primeiros que aprendemos nas aulas de química durante a fase escolar. “Um circuito elétrico é capaz de decompor sua forma líquida nos dois elementos básicos em forma de gás: duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio”. Sob a mesma lógica, Motheo revela que a eletroquímica lança mão de dispositivos, como eletrodos que, quando ligados a um reator, são capazes de destruir os contaminantes presentes na água.

Além de poderosa aliada para viabilizar o reuso da água, a eletroquímica é utilizada para a produção industrial de alumínio, alguns tipos de baterias, entre inúmeras outras possibilidades.

Consciência para o amanhã

Qual o futuro nos aguarda quando o assunto é a oferta e a demanda por água? O professor Wilson de Figueiredo Jardim (UNICAMP) encerrou o dia traçando as possíveis hipóteses, tendo como principal mensagem um alerta: normalmente não temos a percepção do ciclo de vida de tudo que nos cerca. “A água é um bem finito”, reforça.

Ele compara a água que podemos ver – de uma fonte encanada, as reservas naturais e até mesmo as nuvens (água em sua forma gasosa) – com a água chamada despercebida, por trás de toda a produção dos bens de consumo, inclusive alimentos. Além de “invisível” para a população, o volume consumido pelas indústrias e o agronegócio, por exemplo, são exponencialmente maiores do que a água que conseguimos presumir o gasto.

Para comprovar, Wilson Jardim lembrou que as roupas que usamos, se forem de algodão, vieram da colheita de uma área agrícola antes irrigada por cerca de 30 semanas. Já uma única xícara de café pela manhã tem por trás o consumo aproximado de 100 litros de água! Os exemplos vão muito além.“Quando você toma um banho de cinco minutos, consome 12 litros de água por minuto, ou 60 litros. Porém, sabemos que mais de 65% da matriz elétrica brasileira vem de fonte hidráulica. Assim, quase ninguém sabe que gasta em torno de 60 vezes mais água, só para seu chuveiro aquecer. É a força necessária para girar a turbina de uma hidrelétrica, de modo a produzir os quilowatts equivalentes de energia consumidos lá no seu banho quente”, explica Wilson.