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Olimpíada Brasileira de Química Júnior terá primeira fase online

Regulamento foi alterado devido à pandemia da Covid-19 e ao isolamento social

Pela primeira vez desde a criação do Programa Nacional Olimpíadas de Química, em 1995, os alunos farão uma prova online. O isolamento social necessário para o combate ao novo coronavírus trouxe uma nova realidade aos participantes que vão precisar de um celular para realizar o exame da fase I da Olimpíada Brasileira de Química Júnior 2020. O regulamento foi alterado pela coordenação do programa para permitir que os alunos façam a prova em segurança.

Premiação em 2019

As inscrições estão abertas desde o início de junho e se encerram em 30 de julho. Podem se inscrever estudantes do 8º e 9º anos do ensino fundamental. As provas vão acontecer nos dias 14 e 15 de agosto e o estudante poderá fazê-las em casa ou em local público.

O coordenador do Programa Nacional Olimpíadas de Química, professor Sérgio Melo, destaca que o aplicativo onde as provas vão ser aplicadas funciona até em celulares mais simples e antigos. Além disso, o aluno precisará de internet apenas para entrar e iniciar a prova, quando começa a contar o tempo (duas horas) para responder às questões, e no final para o envio das respostas. “Pensamos naqueles que não têm acesso à internet em casa, poderão ir a um local público com internet, pedir a um vizinho ou usar o próprio pacote de dados da sua operadora”.

Com relação às provas a distância, Melo assegura que não haverá brechas para fraudes. “O fato de a prova não ser presencial pode até encorajar pessoas a querer cometer fraudes. Mas a segunda etapa será presencial e aqueles que forem desonestos nesse momento não sairão vencedores. Temos experiência e sabemos que os candidatos não conseguem se sair tão bem nas duas fases se não tiverem conhecimentos sólidos”, pontua.

O professor explica que foco das Olimpíadas é identificar talentos com aptidão para a Ciência e incentivá-los a cursar Química quando chegar a hora de escolher. “Temos muitos casos de êxito com ex-olímpicos nos trabalhos que fazemos. Alguns se tornaram alunos de Química e passaram a dar aulas de reforço para alunos de rede pública, outros implantaram mestrado e doutorado em universidades que não tinham o curso… Esta é uma das nossas funções sociais”.

O aluno do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Gabriel Ferreira Gomes Amgarten, é um caso de sucesso do Programa. Após ser medalhista na Olimpíada Brasileira de Química Júnior (OBQJr), em 2010, ele seguiu ganhando medalhas anualmente. Em 2018, já na graduação, levou para casa seis medalhas na Olimpíada Brasileira do Ensino Superior em Química (OBESQ). “Meu contato com a Química, seja participando de olimpíadas, seja ajudando meus alunos a atingirem seus objetivos, levou-me a decidir, com toda minha convicção, que meu futuro deveria ser dedicado à pesquisa e ao ensino dessa ciência que tanto me fascina”, registrou de depoimento ao anuário do programa.

Gabriel Amgarten em 2019

Os candidatos mais bem colocados na primeira fase da OBQJr estarão automaticamente inscritos na Fase III da OBQ Modalidade A do ano seguinte. As inscrições são gratuitas e, nessa fase, não há limites de candidaturas por escola. O representante da instituição de ensino que possui cadastro entra neste site da OBQ e efetua a inscrição dos alunos de sua escola.

 

Prêmio Mulheres da Química – Blanka Wladislaw

A Química brasileira (nascida na Polônia) Blanka Wladislaw foi uma grande incentivadora da pesquisa e do ensino de Química. Ela participou da fundação do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e é lembrada por ter feito parte da formação de muitos profissionais.

Em 2019, o Prêmio Mulheres da Química – Blanka Wladislaw foi criado para incentivas as meninas no caminho da ciência. O professor Melo explica que o objetivo é reduzir a desigualdade de gênero na participação e nos resultados dos certames. “A quantidade de mulheres que se inscrevem nas diferentes olimpíadas de química é sempre menor que a dos homens e essa menor participação se reflete nos resultados. Para combater essa desigualdade, instituímos o troféu”.

O Conselho Federal de Química (CFQ) está cada vez mais próximo do Programa Nacional Olimpíadas de Química. Por isso, a partir de 2020, a entrega desse troféu é uma honra que o CFQ fará a seis nomes que se destacaram nas Olimpíadas daquele ano. As agraciadas terão seus nomes gravados em placa na base do troféu e recebem a medalha de ouro Mulheres na Química.

Evelyn Vitória de Castro Lopes com o troféu Blanka Wladislaw

 

Olimpíada Brasileira de Química

A Olimpíada Brasileira de Química é um evento de cunho competitivo para estudantes dos ensinos fundamental, médio e superior. Os primeiros colocados têm seus nomes inseridos na galeria de honra do troféu.

Os 15 estudantes de maior destaque são convocados para participar do Curso de Aprofundamento e Excelência em Química, ministrado por professores do curso de pós-graduação em Química de uma das universidades participantes, de onde se escolherá a equipe que representará o Brasil na Olimpíada Internacional de Química e na Olimpíada Ibero-americana de Química.

Nesse momento, também estão ocorrendo as provas da Olimpíada Brasileira de Química Modalidade A, destinada a estudantes de primeiro e segundo anos do ensino médio.

A última etapa deste certame foi realizada no dia 13 de julho, com todos os cuidados de higiene e distanciamento social, com aplicação de exames em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Fortaleza.

A publicação do resultado, prevista para o a primeira quinzena de julho, definirá os estudantes que representarão o Brasil na 52nd International Chemistry Olympiad que deveria ocorrer, presencialmente, em Istambul, mas será realizada de forma remota, em 25 de julho com, pelo menos, 63 países confirmados.

 

SERVIÇO:

Inscrições abertas para a Olimpíada Brasileira de Química Júnior

De 01 de junho a 30 de julho

Acesse: http://oldsystem.obquimica.org/