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Óleo encontrado nas praias do nordeste pode ser transformado em carvão

Projeto da UFBA recebe material enviado por voluntários

Uma técnica barata e rápida pode ser a solução para dar destino às centenas de toneladas de petróleo cru já coletadas das praias no nordeste brasileiro. Químicos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) conseguiram transformar o resíduo em carvão com equipamento simples, comuns na construção civil e até nas feiras: uma betoneira e um triturador.

A professora doutora Zenis Novais da Rocha, responsável pelo projeto, explicou ao Conselho Federal de Química (CFQ) que o projeto ‘Compostagem Francisco’ existe desde 2015 e realiza compostagem orgânica. “Com o advento desse desastre em nosso litoral resolvemos testar o nosso bioacelerador no resíduo coletado e deu certo, foi uma feliz descoberta em parceria com meus alunos”, contou.

O processo todo leva apenas 1 hora e pode ser reproduzido em escalas maiores, podendo transformar toneladas de óleo cru em carvão em pouquíssimo tempo. “Nós temos apenas uma betoneira e, por isso, nossa capacidade é limitada a 60 kg por hora, mas é completamente possível aumentar esse quantitativo, se houver interesse”, destacou a professora.

A professora explica que o processo de compostagem acelerada é limpo, não inflamável, com aditivos que não agridem o meio ambiente, e não libera gases que seriam liberados em caso de incinerar o óleo, por exemplo. “É uma escolha com inúmeras vantagens”.

Segundo o Instituto de Química da UFBA, o petróleo pode ser transformado para outros usos, como materiais de construção civil e composição asfáltica. “Para isso são necessários estudos adicionais”, ponderou a professora Zenis.  “O carvão a gente já sabe que deu certo, mas para outros usos é preciso realizar mais testes”, disse a pesquisadora.