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O papel do químico numa refinaria de petróleo

O profissional da Química exerce um papel muito importante nas refinarias de petróleo. A atuação do químico contempla todo o processo produtivo e, ainda, traz em seu arcabouço funções como análise, certificação e proteção ao meio ambiente.

Quem explica um pouco deste trabalho é o químico Guintar Luciano, que trabalha numa unidade de refino de petróleo na cidade de Mauá, no estado de São Paulo.

“O trabalho do químico numa unidade de refino de petróleo é acompanhar todo o processo produtivo com foco na otimização de processos, e atuando no controle de qualidade dos derivados produzidos”, afirma Luciano.

Ele lembra que dentro deste trabalho, o profissional desempenha tarefas relacionadas à caracterização do petróleo matéria-prima, como teor de sal, densidade, volatilidade, teor de enxofre, e outras atividades.

“O químico acompanha os processos e verifica se as correntes atendem as especificações com relação às propriedades físico-químicas previstas no projeto das unidades”, enfatiza.

Segundo o profissional, com mais de 30 anos de experiência, o monitoramento dos efluentes e a captação de água de mananciais, utilizada nas refinarias, também são ações importantes exercidas pelos químicos.

Mas como se chega na gasolina? Ele descreve que o processo de refino do petróleo é contínuo, desde o recebimento da matéria-prima através dos oleodutos. “O processo de destilação do petróleo na refinaria é uma etapa sucessiva. O petróleo chega na refinaria por meio dos terminais, que por sua vez recebem o petróleo das plataformas marítimas. A gasolina é produzida a partir de frações do petróleo”, informa Luciano.

Primeiramente, o petróleo passa por um processo de destilação atmosférica, quando se obtém uma corrente chamada de resíduo atmosférico ou gasóleo, que é matéria para a produção da gasolina do craqueamento catalítico, ou seja, um produto intermediário – a nafta craqueada.

A nafta craqueada, por sua vez, passa por um processo de hidrodessulfurização, para a remoção de parte do enxofre, conforme é exigido pela legislação brasileira, que estabelece uma concentração abaixo de 50 ppm (concentração em partes por milhão).

De acordo com Luciano, a gasolina também pode ser obtida a partir de outras correntes de refino como, por exemplo, a nafta de destilação direta e a nafta de reforma catalítica.

A análise Química que certifica a qualidade do combustível

Os químicos, além de atuarem na produção, também estão presentes no controle da qualidade do que é disponibilizado no Brasil.  O Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) foi instituído pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 1998, visando garantir a qualidade e o suprimento de combustíveis ao mercado nacional. Atualmente, é regulamentado pela Resolução ANP nº 8/2011.

O PMQC acompanha os indicadores gerais da qualidade dos combustíveis comercializados no Brasil, com a finalidade de identificar a existência de produtos que não respeitam as especificações técnicas determinadas pela Agência. Um dos objetivos principais do programa é a identificação de focos de não conformidade, e esta é uma das áreas em que o químico é imprescindível, afinal,  este profissional é o responsável pelas análises químicas laboratoriais dos combustíveis.

O químico Sérgio Feliciano é proprietário de um laboratório químico que realiza estas análises. Ele explica que as companhias que fazem a revenda contratam os serviços laboratoriais para se certificar de que o combustível comercializado atenda aos parâmetros de qualidade que a lei determina. “A legislação estabelece que o controle de qualidade é distribuído ao longo de toda a cadeia produtiva – produção e distribuição. Então, cada ente responsável pela distribuição do produto tem um escopo de ensaios que deve fazer para atender o que a MP estabelece”.

As companhias coletam as amostras de combustíveis, que são encaminhadas para o laboratório. Na sequência, a equipe faz os ensaios para ver se cada componente da fórmula está de acordo com as especificações definidas pela legislação.

Para que o combustível seja considerado de boa qualidade é necessário cumprir 60 requisitos estabelecidos pela ANP. Nesta lista estão, por exemplo, as faixas admissíveis para cada componente. Estas informações são repassadas ao cliente, que emite um boletim e encaminha para a ANP todos os dias.

Para aqueles que não faziam ideia de que o químico teria um papel preponderante na certificação de qualidade do combustível, Feliciano alerta que os procedimentos usados nestas avaliações, impreterivelmente, necessitam de conhecimentos que só um profissional da área pode ter. “É necessário ter conhecimentos e domínio sobre os processos químicos e combustíveis, para, assim, interpretar estes resultados. Fazemos procedimentos como a destilação, a leitura de curvas e vários outros que são muito técnicos. É um trabalho importante e até imprescindível numa sociedade moderna como esta em que vivemos”, completa.