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O futuro da Química no Brasil é tema de live do CRQ IV

O futuro da indústria química brasileira foi discutido em live realizada na noite desta quinta-feira (28) pelo Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ-IV). Oferecida pela Comissão Técnica de Química Farmacêutica do conselho, o debate on-line buscou atualizar alguns pontos sobre a indústria química brasileira e a atuação de profissionais que fazem parte do meio.

Como está evoluindo a indústria química brasileira, o histórico e tendências, a interferência do profissional da Química e o uso terapêutico de substâncias químicas, a Química Medicinal e o desenvolvimento de novas moléculas de interesse sanitário, além dos desafios da indústria farmacêutica, como a regularização de novas substâncias ativas, foram os principais assuntos abordados.

Participaram da live Jefferson Guilherme Nascimento Santos e Ubiracir Fernandes Lima, ambos integrantes da Comissão Técnica de Química Farmacêutica. Ubiracir é o coordenador e também é membro da Comissão Técnica de Saneantes do CRQ-IV. Já Jefferson coordena a Comissão Técnica de Saneantes do CRQ-IV, além de estar na composição da Comissão Técnica de Química Farmacêutica. O debate foi mediado por Eldinaldo Sobral, técnico em Química, químico industrial e engenheiro químico, e membro da Comissão Técnica de Química Farmacêutica do CRQ-IV.

Jefferson foi o primeiro a palestrar. Ele é bacharel em Química pela USP, enólogo pelo Instituto Federal de São Paulo – Campus São Roque e pós-graduado (MBA) em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing e pela Universidade da Califórnia (Riverside). Participou de vários treinamentos sensoriais na Suíça e Inglaterra, e desenvolveu uma carreira Internacional ligada à inovação, desenvolvendo novos produtos e novos negócios em diversas áreas da Química (higiene e limpeza, cuidados pessoais, aromas e fragrâncias, alimentos, indústria farmacêutica e Química fina).

A evolução da indústria química brasileira, o histórico e as tendências foram apresentadas pelo palestrante, assim como, os reflexos que as crises econômicas, sanitárias e bélicas podem trazer ao país. Momento em que Jefferson reforçou a importância do profissional da Química nesse processo, citando, por exemplo, a importância de fortalecer a produção de produtos químicos no país.

“Existe luz no fim do túnel?”, questionou. “Sim, existe, mas vai depender muito da atuação do profissional da Química. É fundamental a produção de insumos químicos no Brasil, a gente tem que ter domínio de algumas cadeias”, disse. Ao falar da indústria química, Jefferson Santos mencionou a indústria petroquímica, o setor industrial de mais alto poder germinativo e reflexo da vida econômica. Segundo ele, a petroquímica é a base da indústria química.

Ubiracir Fernandes Lima, químico industrial pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Síntese Orgânica e Produtos Naturais pelo NPPN/UFRJ, doutor em Vigilância Sanitária pelo INCQS/Fiocruz e pós-doutor em Tecnologia de Formulações, falou sobre as mudanças e contextos da indústria farmacêutica nas décadas recentes.

Para o químico, que foi membro do setor de Estabilidade do Laboratório Roche, do corpo técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atualmente participa de pesquisas que envolvem produtos de degradação e outras impurezas de importância sanitária no laboratório de Tecnologia Farmacêutica da UFRJ, a indústria tem passado por um período crítico com alguns alertas de como estão sendo tratadas as moléculas aplicadas na área de saúde como um medicamento ou insumo farmacêutico ativo.

“A Covid-19 e seus efeitos na cadeia produtiva farmacêutica se trata de uma oportunidade de reflexão e colocou em evidência a dependência brasileira de insumos importados para fabricar medicamentos”, ressaltou. Segundo ele, isso é resultado de um processo de corrosão do parque farmoquímico instalado no Brasil.

Com experiência nas áreas de Controle da Qualidade, P&D e interfaces regulatórias em segmentos como agrícola, automotivo, cosmético, Eldinaldo Sobral comentou que, além da pandemia, a guerra entre Ucrânia e Rússia impactou de forma severa a área de fertilizantes. “Há 20 anos, nós vendemos tudo que tínhamos para a produção de fertilizantes. Tinha uma indústria brasileira que produzia fertilizantes e atendia a demanda interna. Mas o agronegócio cresceu demais e hoje temos uma dependência do fertilizante importado.”

A live “Aspectos da indústria química – Para onde vai a Química no Brasil?” pode ser assistida aqui.