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Núcleo Mulheres SBQ: é preciso dar voz às mulheres!

Criado em março de 2019, o Núcleo Mulheres SBQ, da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), fornece dados e destaca a grande contribuição feminina no cenário da Química no país, estimulando o debate para diminuir a desigualdade de gênero na área, em todos os níveis, além de contribuir para a formação de lideranças femininas. A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Química, professora Rossimiriam Pereira de Freitas, diz que o número de mulheres que fazem ciência na área de ciências exatas, da terra e das engenharias ainda é inferior ao dos homens.

Segundo ela, o mais importante é o chamado “efeito tesoura”, ou seja, quanto maior o nível da carreira, menor a presença de mulheres fazendo ciência ou sendo reconhecidas pela ciência que fazem. “Se a diferença não é tão gritante assim entre o número de meninas e meninos que fazem ciência na graduação, por exemplo, a diferença se acentua a patamares alarmantes quando a mulher se torna pesquisadora independente”, comenta.

O Núcleo Mulheres SBQ tem página na internet (www.sbq.org.br/pagina/nucleo-mulheres). No espaço, são destacadas todas as mulheres que participaram da formação e fortalecimento da sociedade ao longo dos últimos 43 anos, assumindo cargos e posições de destaque. Na página, também estão destacadas as políticas afirmativas relacionadas à temática Mulher e Ciência, notícias e dados importantes.

De acordo com o núcleo, a desigualdade na área de Química no Brasil não é pior que em áreas como a Física, Matemática e Engenharia, mas está longe de ser um exemplo. “As áreas de ciências humanas e biológicas, por exemplo, estão um pouco melhores do que a Química, mas todas elas estão muito longe da equidade em patamares superiores de formação e reconhecimento”, destaca Rossimiriam.  Ela afirma que esses números estão mudando nos últimos anos e evoluindo para uma menor disparidade, “à custa de muita luta de mulheres líderes”.

Questões culturais ainda são predominantes na descrição das dificuldades para que mulheres atinjam postos de liderança e premiações na área da Química. “Por razões culturais, ainda temos pesquisadores (cada vez menos, é preciso reconhecer!) que consideram a mulher como uma colaboradora dependente, mesmo ela sendo capaz de liderar sozinha todas as etapas de um trabalho científico e de produção”, comenta. Para a vice-presidente da SBQ, é preciso dar voz às mulheres. Ela diz que muitas mulheres recusam postos de liderança pelo excessivo julgamento que sofrem em todos os níveis, pessoal, moral, científico.

A representante do núcleo acredita que ações de incentivo a meninas e mulheres na ciência devem ser multiplicadas em todos os cantos. “A discussão tem que ser feita a todo momento e em todos os níveis. Modelos de cientistas de sucesso têm que ser divulgados insistentemente nas redes sociais, na imprensa e em campanhas de popularização da ciência. Mulheres têm que se mostrar, têm que assumir postos de comando e ocupar os seus espaços na elite científica mundial, à despeito dos fatores contrários atuais. São necessários tempo e multiplicação de ações, mas estou certa que a mudança virá”, finaliza.