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No Falas da Química, uma noite para falar sobre a Química e os plásticos

Na noite desta quarta-feira (9/12) foi realizada mais uma edição do ciclo de palestras online Falas da Química, uma série de debates virtuais realizados pelo Conselho Federal de Química (CFQ) e que se propõe a discutir assuntos de interesse dos profissionais da Química e da sociedade. Desta vez, o tema escolhido foi “O que você precisa saber sobre o plástico”.

O mediador do Falas da Química foi conselheiro federal de Química Newton Mario Battastini. Para o debate, foram convidados Daniel Fleischer, gerente de Relações Institucionais da Braskem RS, Paulo Teixeira, diretor superintendente da Associação Brasileira das Indústrias de Plástico (Abiplast) e do Sindicato da Indústria de Material Plástico, Transformação e Reciclagem de Material Plástico (Sindiplast) e Miguel Bahiense Neto, presidente do Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida) e diretor superintendente do Instituto Nacional do Plástico (INP).

Battastini, que é também presidente do grupo Tecpon e presidente do Sindicato das Industrias Químicas do Estado do Rio Grande do Sul (Sindiquim), abriu o Falas da Química com uma provocação, defendendo a Química como fiadora do modo de vida moderno.

“Os avanços da sociedade só foram possíveis devido à Química. Será que teríamos alimentos hoje para todos se não fosse pela Química? Ela tem um papel muito importante e sem a Química estaríamos da Era das Cavernas”, afirmou Battastini.

Fleischer destacou na capacidade do plástico e da Química em oferecer soluções no campo

Fleischer abriu a série de debates com uma apresentação bem ampla sobre o plástico e seu uso quotidiano. De acordo com o gerente da Braskem, “plásticos são moldáveis, reutilizáveis e 100% recicláveis”. Ele afirmou que a cadeia industrial do plástico gera 325.440 empregos, distribuídos em 12.091 empresas em praticamente todos os setores da economia brasileira.

“Muito se fala que o agro é pop, mas o plástico é pop também. Foi com tecnologia que se possibilitou um salto de produtividade. O aumento da área plantada foi de 36% entre 1995 e 2015, mas a produção cresceu 176% no mesmo período. Como seria possível?”, afirmou Fleischer.

Ele destacou ainda que o uso de plásticos possibilita redução de 65% de defensivos agrícolas e 50% do consumo de água e que as soluções do problema da poluição em geral passa pela consciência ecológica.

“Os plásticos não tem pernas, asas ou nadadeiras. O nosso papel é fazer com que se amplie a reciclagem. Plástico pode ser tudo e não é lixo”, completou.

Teixeira enfatizou a economia circular e como o plástico se coloca no novo paradigma

Teixeira focou sua apresentação no poder da economia circular na superação das dificuldades.

“O conceito atual é de produtividade, tudo que foi retirado da natureza tem que ser mantido e reutilizado, demanda um outro olha. A economia circular é um modelo de negócio, mas mais que isso, a discussão de como incorporar esse modelo dentro do mercado que já existe”, afirmou.

Ele disse que, dos muitos usos do plástico, 60% a 65% do plástico produzido tem uma vida longa e de 30% a 35% são de uso curto –  mas se pode trazer circularidade em todos os casos, com a reciclagem e o reuso.

“Cada brasileiro produz em média 1 kg de lixo por dia. Mais de 40% do que é coletado é descartado em local errado”, disse.

Teixeira salientou ainda não considerar soluções mais radicais como eficazes.

“O banimento puro e simples de determinados produtos, na maioria dos casos, se provou inócuo como política pública”, destacando que na maioria dos casos sequer há um acompanhamento dos resultados das decisões políticas.

Bahiense Neto aponta conciliação entre o uso dos plásticos e a consciência ambiental

O último palestrante a falar foi Bahiense Neto, do Instituto Plastivida, que se preocupou em trazer para o debate exemplos de falta de consciência ambiental comuns a todos nós. Ele destacou que o debate social sobre os plásticos é um caminho sem volta.

“A temática ambiental está fixada na sociedade, com elevado grau de relevância intelectual”, afirma.

Esse debate na sociedade, embora válido, carece de profundidade muitas vezes, adverte Bahiense Neto.

“Os canudos representam 0,0026% do total de produtos plásticos e representam 0,002% dos resíduos sólidos urbanos”, destaca, salientando que muitas vezes o debate social é assimétrico.

Ele acredita que é a população e seu comportamento que determinam um cuidado maior ou menor com a questão ambiental.

“Nossa consciência vai definir se vou seguir com um copo por dia ao beber água e café, ou se vou usar um a cada momento do dia em que for beber a água ou café e isso faz toda diferença”.