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Goiânia: no Dia do Químico, Sistema CFQ-CRQ leva visões do mercado à universidade

Palestras em Goiânia detalham nichos de atuação profissional diante de estudantes, técnicos e pesquisadores

 

Quatro palestras com perspectivas diferentes do mercado profissional marcaram o Dia Nacional do Químico em Goiânia. A atividade foi promovida na terça-feira (18/06) pelo Conselho Regional de Química da 12ª Região (CRQ XII), em parceria com o Conselho Federal de Química (CFQ) e a Universidade Federal de Goiás (UFG), que cedeu o auditório principal do Instituto de Química para o evento.

Cerca de 60 estudantes e profissionais da área ouviram os palestrantes abordarem temas como gestão de qualidade, saneamento ambiental e perícia criminal. “O pessoal ainda tem aquela imagem idealizada de que químico é só aquele profissional que trabalha atrás de uma bancada, de jaleco, mas existem muitas oportunidades a serem exploradas”, comentou Fernando Yuri, conselheiro do CRQ XII.

Além de celebrar o Dia Nacional do Químico, o evento serviu para assinalar um novo estágio do trabalho do Sistema CFQ/CRQ, com base no planejamento estratégico da entidade nacional. “Ao lado do Conselho Federal, estamos seguindo as nossas metas do planejamento estratégico”, pontuou o presidente do CRQ XII, Luciano Figueiredo. “Uma delas é justamente melhorar a interação com os profissionais e as instituições de ensino, e o nosso evento é um marco desse início de interação, com palestras escolhidas pelos próprios profissionais”, emendou o dirigente.

A interação defendida pelo presidente do CRQ XII agrada a Maycon Vasconcelos, que foi assistir às palestras. “Muito bacana essa programação, era o que nós precisávamos, como profissionais ou estudantes da área química”, elogiou. Aos 31 anos, Maycon é responsável técnico de uma indústria de óleo de algodão e espera que o CRQ XII promova mais eventos: “A gente precisa que haja essa atividade mais vezes e que o conselho possa dar subsídio para o recém-formado se colocar no mercado de trabalho”.

Os temas das palestras foram decididos a partir de uma enquete no site do CRQ XII, entidade atuante em Goiás, Tocantins e Distrito Federal. Um dos assuntos eleitos foi química forense, especialidade de Luciano Figueiredo. Perito criminal vinculado à Secretaria de Segurança Pública de Goiás, ele discorreu sobre procedimentos analíticos e equipamentos usados nas perícias. “Em torno de 30% do nosso trabalho é de identificação de drogas ilícitas e substâncias correlatas”, disse Figueiredo, referindo-se à principal demanda do laboratório.

Conhecimento

O trabalho investigativo envolve ainda identificação de produtos químicos e exame de resíduos de explosão e de disparo de arma de fogo, além da verificação de adulterações em medicamentos, bebidas, cosméticos, agrotóxicos, perfumes e combustíveis. Os desafios têm em comum a aplicação de conhecimento químico. “É importante o profissional ter boa formação para saber buscar os recursos nos trabalhos a serem desenvolvidos no laboratório”, destacou Luciano Figueiredo.

Duas palestrantes abordaram temas ligados à gestão de qualidade em produtos e serviços. Conselheira do CRQ XII, Gleyce Guimarães de Almeida tratou do assunto na perspectiva da indústria de cosméticos e sustentou que há espaço para mais químicos na atividade. “O químico não está só no chão de fábrica, ele está no (trabalho) operacional, no tático e no estratégico”, afirmou.

Na visão de Gleyce, a gestão da qualidade exige que o profissional pense também como consumidor, buscando antecipar o que as pessoas esperam de cada produto. A tarefa não é simples num mercado exigente como o do Brasil.“Os brasileiros são os que mais reclamam nos serviços de atendimento ao consumidor”, informou.

Karen Lúcia Alves, técnica de metrologia e qualidade do Inmetro/GO, discorreu sobre sistemas de gestão da qualidade em laboratórios com adoção da norma internacional ISO/IEC 17025 (Requisitos Gerais para Competência de Laboratórios de Ensaio e Calibração). A adequação de um laboratório a essa norma é indispensável para que seja oficialmente reconhecido como unidade dotada do mais alto nível de exigência quanto à precisão nos seus procedimentos. “O mercado está mudando, e há empresas que só aceitam serviço de um laboratório se for certificado”, alertou.

Faltam profissionais

Para quem ainda está na faculdade, aprofundar-se nas questões ambientais pode ser uma estratégia útil na busca de emprego. A opinião é de Fernando Yuri, que é gestor ambiental e deu palestra sobre saneamento. “Não há como fazer o tratamento de água e efluente sem um tratamento químico, e não há profissionais em número suficiente para essa demanda”, avisou.

Fernando Yuri vê espaço para novos profissionais da química na elaboração de planos de saneamento básico, no dimensionamento de estações de tratamento de esgotos e de aterros sanitários e na oferta de serviços de consultoria. “Há muitos nichos que o profissional da química não desenvolve e acaba perdendo espaço para outros profissionais”, disse o gestor ambiental.

Foto: André Costa