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No dia da Mulher, CFQ reuniu colaboradoras para tratar do “fenômeno da impostora”

O Conselho Federal de Química (CFQ) organizou uma apresentação para suas colaboradoras em alusão ao Dia Internacional da Mulher cuja proposta era discutir o conhecido “fenômeno da impostora”, ou a desconfiança que acomete especialmente as mulheres quanto a suas competências e habilidades. A palestrante convidada foi a estrategista em personal branding, comunicação e posicionamento de marca pessoal Kellen Amorim.

Já no princípio da dinâmica, Kellen pediu ao grupo de mulheres que contassem curiosidades sobre si próprias. Foram diversos relatos de dançarinas, esportistas, empreendedoras, poliglotas, o que surpreendeu as colegas. Como, afinal, será possível que elas convivam no mesmo ambiente diariamente e saibam tão pouco umas sobre as outras? Essa incredulidade era exatamente o ponto que a palestrante queria explorar. Por conta da criação, por timidez ou pelo caráter machista de uma sociedade que oprime a mulher, fica evidente que elas não exploram (ou não expõem) seu verdadeiro potencial. Por trás desse comportamento, aponta Kellen, está uma tendência autodepreciativa, o “fenômeno da impostora”.

“A síndrome da impostora afeta desproporcionalmente as mulheres e grupos minorizados, que têm dificuldade em aceitar suas realizações e questionam suas conquistas”, afirmou a palestrante.

Ao longo da palestra, Kellen enumerou comportamentos que denotam uma postura excessivamente passiva, reflexo da síndrome da impostora.

“Há mulheres que chegam cinco minutos atrasadas em uma reunião, mesmo virtual, e ficam se desculpando. Ou ainda pior, são chamadas por alguém em uma sala e, ao chegar, pedem desculpas por ‘estar atrapalhando’… Mas foi a outra pessoa que a chamou!”, assinala ela.

Kellen trouxe números que apontam a ocorrência do problema entre as mulheres que ocupam posições executivas: 75% disseram ter vivido o fenômeno ao longo de suas carreiras; 85% entendem que o fenômeno acomete mais às mulheres que aos homens e 56% temem que os demais desconfiem de suas competências.

Em outro exemplo, ela aponta que as mulheres tendem a buscar uma perfeição que não pode ser alcançada. Em resposta a isso, muitas delas deixam de realizar as ações que teriam capacidade de colocar em prática. Os homens, por outro lado, segundo Kellen, tendem a se sentir mais confortáveis em posições de comando – mesmo tendo a ideia de que não possuem certas competências necessárias para o cargo que ocupam.

“Um homem chamado para uma posição importante não vai recusar um convite, mesmo sabendo que é nota 6 em determinado aspecto. A mulher, por outro lado, é como alguém que tem talento para cantar e dançar, mas que só subiria ao palco se tivesse no nível da Beyoncé no Superbowl”, afirma.

O CFQ, no momento, conta com maioria do seu quadro formado por mulheres, segundo o gerente de Gestão Estratégica de Pessoas do CFQ, Bruno Goytisolo.

“Muitas questões são culturais, temos de combater as posições machistas todo tempo. Surpreende também que até mulheres tenham dificuldades em perceber falas machistas”, acrescenta o gerente-executivo do CFQ, Renato Melo.

Ao abordar o fenômeno da impostora, em suas falas finais, Kellen lançou um questionamento às mulheres:

“Qual sonho o fenômeno da impostora tem te impedido de conquistar? A impostora procrastina aquilo que mais quer fazer”.

A palestra foi tão envolvente que a sessão de perguntas, ao fim do encontro, se prolongou por mais de uma hora.