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Momento Q Salvador: mudanças no mercado beneficiam químicos

O surgimento de novas oportunidades para os químicos no mercado de trabalho brasileiro foi discutido em Salvador durante a passagem do Momento Q pela capital baiana, na noite da última quinta-feira (18/07). Realizado no Campus Tancredo Neves da Unifacs (Universidade Salvador), o encontro reuniu estudantes, profissionais da química e representantes de empresas. O público acompanhou duas palestras de especialistas em questões industriais e uma homenagem a Manuel Joaquim Fernandes de Barros Sobrinho, primeiro presidente do Conselho Regional de Química da 7ª Região (CRQ VII), cuja área de atuação é a Bahia.

Salvador foi a sétima capital a receber o Momento Q, série de ações de integração do Sistema CFQ/CRQ em comemoração ao Dia Nacional do Químico, celebrado em 18 de junho. A programação passou anteriormente por Goiânia (GO), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), Maceió (Alagoas), Fortaleza (CE) e São Paulo (SP). Os próximos encontros estão agendados para Teresina (PI), em 7 de agosto; e Recife (PE), no dia 14 de agosto.

“O papel da Química na Indústria 4.0” foi o tema da palestra proferida pelo engenheiro químico Claudio Luís Muller, mestre em processos petroquímicos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Outra visão foi apresentada pela engenheira química Jade Siqueira, que falou sobre os desafios do profissional em um laboratório ambiental.

Claudio Luís Muller saiu muito satisfeito do encontro, promovido numa parceria entre o Conselho Federal de Química (CFQ) e o CRQ VII. “Vi que a indústria 4.0 é assunto que desperta grande interesse e que muitos ainda desconhecem o assunto”, conta o engenheiro. “Fiquei contente em poder levar a eles esse conhecimento”, continua.

Muller abordou os principais benefícios e desafios para os profissionais de química na quarta onda industrial, caracterizada por uma revolução no uso de dados. O público demonstrou grande interesse em saber sobre as perspectivas de emprego na nova realidade. “As pessoas precisam entender que o mercado está mudando”, observa o engenheiro. “A empregabilidade do profissional de química continuará existindo, mas é preciso desenvolver habilidades multidisciplinares, envolvendo áreas de conhecimento afins.”

Na avaliação de Muller, a Indústria 4,0 abre muito espaço para o empreendedorismo e tende a mudar também o perfil dos empregadores. “Hoje, (donos de) pequenas e médias empresas acreditam que a tecnologia é cara, mas a redução dos custos da tecnologia vai permitir que elas se tornem competitivas”, prevê.

A melhoria nas perspectivas de emprego para os químicos no Brasil também é uma aposta de Jade Siqueira. “A área ambiental está crescendo bastante”, avisa a engenheira. Além de ver mais oportunidades de trabalho na expansão do mercado de laboratórios ambientais, ela chama a atenção para a necessidade de se empregar pessoas com conhecimento químico em diferentes setores da produção e da comercialização de produtos e serviços.

“O químico é muito importante em várias etapas do processo, e não apenas na bancada do laboratório”, sustenta Siqueira. “Até mesmo a equipe comercial precisa ter algum treinamento químico, para saber o que está vendendo”, defende ela.

Homenageado pelo Momento Q em Salvador, Manuel Joaquim Fernandes de Barros Sobrinho compareceu ao evento com a esposa, filhos e netos. Emocionado, o primeiro presidente do CRQ VII recebeu uma placa comemorativa da entidade que ajudou a fundar.