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Método acadêmico poderá produzir etanol a partir de resíduos do petróleo

A doutora em Química, Juliana Ferreira de Brito, desenvolveu uma pesquisa que poderá transformar um dos resíduos da produção de petróleo, chamado água de petróleo, em etanol e metanol, o que trará benefícios econômicos e sustentáveis para o mercado. A tese de doutorado foi desenvolvida na Universidade do Estado e São Paulo (Unesp).

Juliana iniciou sua pesquisa, ainda no mestrado, quando começou a estudar alguma aplicação nas reduções de CO2 (dióxido de carbono), que, na ocasião, eram os combustíveis. “A indústria gera resíduos de forma inevitável. Então temos que pensar em alternativas para esses resíduos. A ideia é tornar esse tratamento um pouco mais viável economicamente, pois o custo agregado ainda é alto”, explica a Juliana. A forma ideal, segundo ela, é gerar um subproduto após o tratamento.

Na prática, Juliana utilizou um sistema dividido em duas partes. Na primeira, é depositado o resíduo pesquisado (água de petróleo). Um eletrodo desenvolvido especialmente para a pesquisa é instalado no sistema e alimentado com um determinado potencial de energia. Esse sistema irá gerar elétrons e lacunas, que atacarão o composto orgânico. “Ele irá quebrar a molécula em pequenas partes e a menor parte possível seria o CO2. Esse dióxido irá reagir com os elétrons gerados, produzindo o etanol”, declarou a pesquisadora.

A produção diária estimada de água de petróleo no Brasil supera 40 bilhões de litros, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Se toda essa quantidade fosse utilizada, seria possível tratar 28 bilhões de litros diariamente e gerar oito bilhões de litros de metanol e 50 milhões litros de etanol. “As vantagens ambientais são importantes. Além do tratamento do resíduo, gera-se um combustível mais limpo, em um processo que não adiciona mais CO2 na atmosfera. Além disso, o combustível gerado não é a partir de alimentos. No caso da cana-de-açúçar, deixa-se de produzir o açúcar para fabricar o etanol”, disse.

Menção honrosa

O trabalho de Juliana recebeu menção honrosa no prêmio Unesp de teses 2019. Para ela, a premiação é o reconhecimento que suas pesquisas fizeram a diferença. “É muito gratificante. Hoje a gente trabalha na área de pesquisa dentro das universidades de forma muito isolada da sociedade, que acaba não sabendo o que a gente faz. Quando encontramos uma aplicabilidade em nosso trabalho, que irá contribuir em alguma mudança, significa que valeu a pena”, avalia. Juliana continua seus estudos no pós-doutorado, pesquisando a redução de nitrogênio atmosférico para produção de amônia, que, atualmente, representa um grande gasto de energia para indústria agrícola.

Ouça a entrevista de Juliana ao Quimcast: