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Minicursos mobilizam estudantes no Encontro da Amazônia

400 alunos esgotaram vagas para participar das aulas que integram EQPA

Entre moléculas, fórmulas e compostos, estudantes de graduação começaram a maratona de minicursos oferecidos no 16º Encontro de Profissionais da Química da Amazônia (EPQA), em Belém. Foram dez aulas que ocorreram simultaneamente no saguão do hotel Princesa Louçã com temas ligados ao que há de mais atual na área da Química. Foram oferecidas 400 vagas nos cursos – totalmente preenchidas.

Um dos cursos foi o de “Águas Industriais para Caldeiras e para Torres de Resfriamento”, ministrado pelo engenheiro químico, professor e consultor Ennercyr Pilling Pinto. O objetivo foi fornecer um rápido conhecimento aos participantes sobre tecnologia, métodos e equipamento de tratamentos de águas industriais para uso em caldeiras de alta e baixa pressão e torres de resfriamento. “Busquei levar para eles o que há de mais moderno e seguro no mercado e o uso correto dos maquinários”, resumiu Ennercyr.

Em um dos momentos da aula, o professor explica os compostos utilizados no tratamento da água e usou um exemplo da região para ilustrar o tema. “Por que a água do rio Guamá é permanentemente marrom?”, perguntou aos alunos. Segundo ele, são dois simples fatores que explicam o fenômeno. “A primeira causa é o tipo de argila do terreno por onde corre a água. A segunda, por ser um afluente do Rio Amazonas, é a quantidade de produtos orgânicos na água”, explicou. A argila, segundo ele, é um silicato de sódio que fica coberta pela água. Como a água é polar, os hidrogênios contidos nela ficam ligados na argila e acabam se repelindo com as moléculas de oxigênio por terem a mesma propriedade negativa. Sendo assim, elas ficam em suspensão, provocando a cor mais escura. “Por ter essa composição, o tratamento da sua água é muito mais eficaz”, declarou.

Outra aula importante foi a da professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Patrícia Teresa Souza da Luz, que falou sobre “Materiais Catalíticos Aplicados na Produção de Biodiesel”. Ela mostrou aos alunos a melhor forma de preparação dos catalisadores para a indústria.

“A produção de biodiesel vem ganhando cada vez mais espaço e com isso é preciso que tenhamos catalisadores eficientes, principalmente na Região Norte onde temos uma vasta quantidade de oleaginosas usadas na produção desses catalisadores”, declarou. De forma didática, a professora mostrou o que é um catalisador heterogêneo, um catalisador produzido para biodiesel e demais processos. Por meio deles, o processo industrial fica mais limpo, com menos resíduos.

Os alunos do quinto semestre de Química do IFPA, Jorge Monteiro e Careline Lima assistiram ao curso sobre catálises e saíram empolgados. “Sempre me interessei por este tema, mas não tinha conhecimento aprofundado sobre ele. Foi uma oportunidade para entender melhor o processo”, disse Jorge. Careline também tem interesse por ser uma vasta fonte de pesquisa também para outras frentes da Química. “Não temos essa disciplina específica no nosso curso. Vir aqui nos ajudou a saber mais sobre o que está no mercado”, declarou a estudante.