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Lugar de mulher é onde ela quiser estar e há muito espaço na Ciência

Todo mês de março temos a oportunidade de chamar atenção e trazer à reflexão o esforço e a luta diária que nós, mulheres, enfrentamos há séculos.

Desafios que envolvem mudar culturas, conciliar agendas, ocupar diversos papéis na sociedade e sermos reconhecidas e respeitadas não apenas como seres do sexo feminino, mas como mulheres capazes, inteligentes, estudiosas, produtivas e também trabalhadoras.

Mesmo em 2022, as mulheres ainda atuam sob o olhar preconceituoso no mercado de trabalho. Ainda estamos pouco representadas em diversas áreas. De acordo com a Unesco, 30% dos cientistas são mulheres e apenas 5% a 10% das mulheres no mundo ambicionam funções no campo da Ciência.

Exaustão e duplas jornadas, misoginia, falta de estímulo e até de aceitação, fazem da Ciência um terreno ainda árido para as mulheres. Quando chegamos em um espaço tradicionalmente ocupado por homens, precisamos muitas vezes provar nossa capacidade intelectual e de realização.  Somos forçadas a enfrentar desigualdades salariais, olhares pejorativos e às vezes até falta de apoio familiar.

Ironicamente, foi na indústria que as revoltas femininas por direitos iguais tiveram início. Mas quando ocupamos cargos de alto escalão, quando somos engenheiras químicas, mulheres da Química e da Ciência, quando inovamos e pesquisamos é que somos mais testadas e mais questionadas sobre qual espaço podemos ou devemos ocupar.

No Sistema CFQ/CRQs, as mulheres da Química lembram de seus desafios, suas jornadas, conquistas e dores e erguem a cabeça ao ousar enfrentar um mundo ainda tão masculino. Na luta por sonhos e inspiradas por mulheres históricas que revolucionaram o mundo, de norte a sul do Brasil, essas profissionais desafiaram a sociedade, pais e mães, chefes, encararam duplas jornadas, criaram filhos e desenvolveram pesquisas, conquistaram seus estudos e hoje ocupam cargos relevantes nas áreas de sua profissão. São mulheres inteligentes, estudiosas, produtivas e trabalhadoras. E também são filhas, mães e esposas.

Para as mulheres do Sistema CFQ/CRQs, o lugar de mulher é onde ela quiser estar, e há muito espaço na Ciência. Nenhuma área é restrita ao masculino. Isso vem de uma cultura antiga, quando as mulheres eram relegadas apenas a algumas áreas do conhecimento. As mulheres são tanto quanto ou até mais capazes do que qualquer homem. Precisamos estimular umas às outras a seguir nossos sonhos e a acreditar em nós mesmas.

Nós, profissionais da Química, acreditamos nas mulheres na Ciência!

“Os momentos mais marcantes e muito desafiadores na minha carreira foram cursar pós-graduação, mestrado e doutorado em cargo de direção e com crianças ainda pequenas. Muito difícil, mas vencido com sucesso”, Suzana Aparecida da Silva, Presidente do CRQ -MT desde 2018 e no Sistema CFQ/CRQs há 26 anos, desde a criação do CRQ XVI.

 “A cada tempo, mesmo a mulher conquistando cada vez mais o seu espaço na Ciência e na profissão, temos ainda vários desafios. Primeiramente, por geralmente a mulher ter várias jornadas duplas e as vezes até triplas e, como sempre, a sociedade costuma dar ênfase ao trabalho masculino. Com isso, vem o desafio de inovar e de sempre provar a capacidade técnica, a expertise”, Raquel Lima, Presidente do CRQ – PB desde 2019 e reeleita para mais 3 anos.

“No início do meu trabalho poder me posicionar e emitir os meus pensamentos, às vezes contrários ao que se esperava, foi muito difícil. Muitos anos já se passaram da liberação das mulheres, mas vejo que a luta continua ainda muito grande para poder ocupar o nosso espaço, seja na Ciência ou em qualquer outra área”, Ana Maria Biriba de Almeida, Primeira Secretária da Diretoria do CFQ desde 2010 até hoje e Conselheira Federal. Foi Presidente do CRQ VII de 2001 a 2010.

“Dentre os desafios para a mulher no campo da Ciência, acredito que romper os paradigmas do patriarcado, buscando uma posição igualitária dentro contexto tecnológico, administrativo e comercial sejam ainda os maiores.  Devemos considerar que as lutas se tornam mais árduas nas conciliações com os compromissos familiares”, Ana Paula Cristina Sayd, Conselheira Federal

“O maior desafio para a mulher na Ciência acredito que é se manter na carreira com acúmulo de responsabilidades, como cuidar do lar e a maternidade”, Lenilda Ferreira Costa, Bacharel em Química e Conselheira suplente

 “Acredito que o maior desafio seja administrar o tempo à família, aos filhos, com o lado profissional e desenvolver pesquisas. Continua sendo o grande desafio da mulher em nossa sociedade”, Maria De Fátima Da Costa Lippo Acioly, Engenheira Química e Conselheira Federal

“Atualmente, tenho desafios constantes como professora e pesquisadora, mas atuar como presidente do CRQ-1 é algo totalmente novo e desafiador na minha carreira. Creio que a dupla jornada de mãe e profissional é um dos maiores desafios para nós mulheres e, muitas vezes, não conseguimos nos dedicar à carreira como gostaríamos”, Ana Paula Paim, Presidente do CRQ – PE desde 2020.  Conselheira do CRQ-1 desde 2012.

 “Eu destaco como os principais desafios que as mulheres precisam superar e enfrentar para demonstrar sua capacidade no campo da Ciência os de superar a invisibilidade social, a desigualdade de oportunidades, o machismo estrutural, a desigualdade salarial – principalmente na iniciativa privada, a desigualdade de direitos, o preconceito e o acesso ao ensino universitário”, Cristiane Leal, Presidente CRQ – PA desde 2020.

“Para mim foi muito complicado, pois sou a mais nova de uma família de 12 filhos do interior do Piauí. Lá as mulheres só serviam para casar e cuidar da casa e dos filhos. O rompimento com esse costume é sempre muito difícil. A minha carreira sempre foi um desafio, desde a escolha do vestibular para Química, pois meus pais não entendiam e eu era fascinada pelos laboratórios de ensino médio. Então tive que desobedecer e fazer a inscrição escondida. Depois que fui aprovada foi muita confusão, mas deu tudo certo, pois não abri mão dos meus sonhos e no final todos entenderam”, Sandra Sousa, presidente CRQ – PI