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Live discute técnicas para manter os alunos interessados pelo conhecimento científico

Como manter as aulas de Química atrativas e inclusivas. Este foi o tema da live do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV), na noite da última quinta-feira (07) no YouTube.

 Com o objetivo de discutir estratégias de ensino que possam não apenas gerar engajamento e participação, mas a construção de um ambiente atrativo que contribua para o aprendizado, os palestrantes falaram sobre as metas principais de um educador, ou seja, que as aulas não só favoreçam o aprendizado, como, também, “acendam a chama” pelo conhecimento e orientem as possíveis escolhas profissionais.

 “Passamos por um período muito difícil durante a pandemia, no qual, nós, os professores fomos muito sugados em termos de demanda. E cada vez mais pediam que nossos contatos remotos com os alunos pudessem ser mais atrativos. Foi difícil para nós, que somos adultos, imagine para adolescentes, um jovem que está em formação”, pontuou Monique Gonçalves, docente em Química na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro. 

 A professora Monique Gonçalves, atualmente, está envolvida em vários projetos, entre eles, o canal @inclusivequimica, espaço destinado a produção de materiais de apoio para estudantes e oficinas de produtos naturais como repelentes, perfumes e difusores

 Para a professora, é importante que a aprendizagem seja significativa, que faça sentido ao aluno, que prenda sua atenção. “Como ensinar Química quando as preocupações do aluno são outras. Eu trabalhei durante 10 anos na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, na educação de jovens adultos no período noturno. Muitos vinham de trabalhos pesados e, obviamente, à noite estavam cansados. Para atrair esses alunos, a aula deveria ser mais dinâmica, porque a cabeça deles estava voltada para outro momento, como se alimentar, ver os filhos, dormir”, justificou.

 Seguindo os preceitos da Pirâmide de Maslow, na qual a base está as preocupações com as questões fisiológicas, e no topo está o último estágio relacionado com a autoestima e realizações, a especialista ressaltou que é preciso aplicar o estudo a Química à solução de problemas que façam sentido para o aluno, como conhecimento no seu cotidiano e motivação para a vida.

 Para manter seus alunos motivados, a professora Monique trabalha, desde 2018, por meio de oficinas de produtos naturais, como mecanismo inclusivo e de alfabetização científica. “As tradições e o conhecimento popular sempre fizeram com que gerações sobrevivessem à custa de conhecimentos práticos e tradições acumuladas ao longo do tempo, sem uma base científica concreta, o que chamamos de coisas de avó”, disse.

 Nas oficinas, além da produção de repelentes, difusores e perfumes, são repassados os conhecimentos da Química, métodos científicos e fórmulas das substâncias. A professora Monique denomina esta metodologia de “alfabetização pela Química dos aromas”.

 Ao longo das experiências, os alunos e alunas demonstraram o interesse em produzir os produtos como forma de obter uma renda extra, contou a professora Monique.

 Monique deixou algumas reflexões: que tipo de aluno queremos e quem estamos formando? “Precisamos pensar em práticas que não robotizam nossos alunos e de que forma podemos atrair jovens no Ensino Médio e na Educação de Jovens e Adultos. Há diversos espaços não formais de ensino e há diversos saberes”, concluiu.

 A outra palestrante, formada em Química e especialista em Neurociência e Comportamento Humano, Simone Garcia de Ávila, trouxe também uma abordagem a partir da sua experiência como professora, lecionando para jovens e adultos no período noturno.

 “Eu tive muitos desafios, pois me deparei com problemas de comportamento, de disciplina, sociais e, principalmente, com uma grande aversão a aprender Química. Na primeira semana, eu ouvia frases, do tipo, a Química não serve para nada ou a Química é difícil”. Eu tinha que pensar em alguma ação que pudesse reverter esta imagem ruim”, confessou Simone Ávila.

 A solução encontrada pela professora Simone foi associar a Química com o cotidiano e a necessidade dos alunos.

 De acordo com a docente, o engajamento é o grande desafio do professor, conquistando a atenção e motivando os alunos. E a professora Simone explicou que a dopamina, uma substância Química, que gera prazer e estímulo no cérebro humano, pode ser uma grande aliada no ensino.

 Mas, qual é o papel da dopamina no aprendizado? Para a professora, a maneira de iniciar a aula é importante para gerar uma carga de dopamina com outros estímulos, competindo o tempo todo com outros fatores que distraem o aluno.

 “Não existe aprendizado sem atenção, além do desejo, que é marcado pela liberação de dopamina. A aula precisa ser interessante. Para ensinar Química é preciso entender que ela é uma Ciência em três níveis: macroscópico, microscópico e simbólico. Saber Química envolve transitar por esses três níveis”, enfatizou.

 Simone Ávila salientou que aprender Ciência envolve um aprendizado investigativo. “O método científico é aplicado a partir de um problema, de uma necessidade”, alegou a docente.

 A recompensa

 As aulas precisam ser contextualizadas com respostas sobre o motivo pelo qual o aluno deve aprender o conteúdo, que problema ele irá resolver se dominar o tema, qual será o diferencial que o assunto pode trazer para a sua vida pessoal ou profissional, e por que alguém um dia estudou sobre uma determinada questão. “O aluno precisa se sentir recompensado neste processo de aprendizado. O que muda não é a estratégia, mas sim o conteúdo que vai ser explorado. E esse conteúdo depende do perfil do grupo de alunos”, justificou.

 A professora Simone adaptou uma ferramenta de marketing, “Canvas da Proposta de Valor”, para identificar o perfil e necessidade de seus alunos.

 A ferramenta é dividida em duas partes. A primeira serve para mapear o perfil do aluno. E a outra parte permite criar uma proposta que gere valor e curiosidade. “O objetivo é criar uma conexão entre a necessidade dos alunos e os conteúdos que precisamos ensinar”, explicou Simone.

A professora deixou alguns conselhos: inicie a aula com uma pergunta, uma história, uma situação problema, um filme ou uma série que os alunos gostem.

 Assista à live completa em https://www.youtube.com/watch?v=tA2jW40ob9Y&t=58s