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Lincoln Silva de Oliveira, uma vida dedicada à pesquisa

Muito além da docência e das próprias pesquisas, ele ajudou a criar cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado em diferentes universidades

 

O professor doutor Lincoln Carlos Silva de Oliveira tem uma história inspiradora de apoio e dedicação ao ensino e à pesquisa em Química. Ele ajudou a fundar cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado sempre buscando despertar o interesse pela ciência em seus alunos.

Inspirado pelas aulas dinâmicas e envolventes de Química, no ensino médio, o jovem Lincoln não imaginava os rumos que a vida tomaria quando decidiu cursar Química Licenciatura na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em 1985. Mas, logo nos primeiros semestres da graduação, veio o primeiro emprego como professor, não de Química, mas de matemática em uma escola em Campo Grande. Assim, a carreira como professor começou antes mesmo do diploma chegar. São mais de 30 anos dedicados à docência.

De família humilde, não imaginava seguir carreira acadêmica e tornar-se inspiração para outros alunos. Naquela época, final dos anos 80, não havia cursos de mestrado na sua cidade.  “Comecei a ganhar um dinheiro como professor e para mim, naquele momento, já era muito. Não queria sair da minha casa, deixar a namorada [hoje esposa] e amigos. Estava pensando em fazer outra graduação, dessa vez, matemática”, explica.

Foi então que outro mestre foi decisivo nas suas escolhas. “Um professor me deu uma enquadrada. Ele disse que eu teria muito mais oportunidades se fizesse um curso de mestrado ou pós-graduação do que se cursasse três cursos de graduação”, conta. Um conselho pelo qual ele agradece sempre.

E é aí que tudo começa. Lincoln emendou o mestrado e o doutorado em Química, área de concentração Química Analítica, pelo Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Araraquara. Ele conta que o trajeto não foi fácil. Enquanto cursava o mestrado, precisou buscar emprego como professor, mesmo sendo bolsista. “À época, a Capes foi extinta. A inflação era muito alta. Quando a gente recebia, já não conseguia fazer nada”, rememora. Durante o doutorado, ele foi bolsista Fapesp e não pôde lecionar.

Apesar das dificuldades, concluiu o doutorado e decidiu que era hora de voltar às salas de aula, como professor de Química no ensino médio. Depois de cinco anos, a academia voltou a bater à sua porta. “Surgiu a oportunidade no processo seletivo na Universidade Católica Dom Bosco, aqui em Campo Grande, e foi aí que eu voltei, só que para o curso de Farmácia”, explica. Lá ele ajudou a criar o programa de mestrado em Biotecnologia, do qual foi coordenador até dar seu próximo passo na academia, em 2007, quando ingressou na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Durante os dois anos em que permaneceu na UFGD, ele também trabalhou pela ampliação dos cursos oferecidos, ajudando a fundar o curso de pós-graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental.

Em 2009, ele retorna (via concurso público) à UFMS, onde logo foi escolhido coordenador do curso de mestrado do Departamento de Química. Desde sempre, sua busca por melhorar as oportunidades de pesquisa permeou seu trabalho e, assim, ele trabalhou na reformulação do programa do curso, ampliando a pesquisa – até então restrita à Química Orgânica e Físico-Química. “Criamos uma única área e abaixo dela vinham as linhas de pesquisa. Assim, contemplamos diversas áreas, uma maneira mais atual de distribuição dos programas de pós-graduação”.

Inquieto, ele sempre foi além. Diante de um único programa de doutorado em Química na UFMS, compartilhado com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade Federal de Goiás (UFG), ele partiu para mais um desafio.

Em 2012, coordenou a equipe que desenhou a proposta o desmembramento e criação do programa de doutorado em Química da UFMS, aprovado no mesmo ano. Com o a separação do Centro de Ciências Exatas e Tecnologias em quatro novas unidades, em 2013, criou-se o Instituto de Química, para o qual ele foi escolhido diretor, cargo que ocupa até hoje.

Apesar das diversas funções administrativas que desempenha, o professor Lincoln faz questão de estar em sala de aula, na graduação e na pós. “É uma coisa que eu gosto muito, me faz bem trocar conhecimento com os meus alunos, estar em contato e saber as reais necessidades deles”, frisa. Ele também orienta alunos de iniciação científica, de mestrado e de doutorado. Ele já orientou 23 alunos de mestrado e doutorado.

Descobrindo novos talentos

Sobre o desafio de manter os alunos da graduação engajados em pesquisas, o professor não faz rodeios. Muitos não têm oportunidade porque precisam trabalhar, não têm horários flexíveis, mas aqueles que entram nos projetos de iniciação científica vão buscar cursos de pós-graduação e seguirão as suas pesquisas. “Ele [o aluno] se encanta com o laboratório, com os resultados, as reviravoltas da pesquisa e dos métodos”.

Lincoln destaca a importância da pesquisa e da ciência para a sociedade. “Qualquer investimento em pesquisa é válido. Qualquer resultado ensina algo e traz crescimento. Algo que deu errado ensina o caminho que não se deve seguir, sempre acrescentamos algo”. Ele acredita que o caminho para o desenvolvimento passa pela valorização da ciência e dos pesquisadores científicos.

 

Um novo desafio

Agora, o professor doutor Lincoln Silva de Oliveira assumiu um desafio ainda maior: ele concorre à reitoria da UFMS, ao lado do professor doutor José Antônio Menoni. O professor destaca que o projeto UFMS Mais Vozes é um caminho para valorizar a comunidade acadêmica como um todo. “Queremos cuidar dos alunos, dos interesses e da saúde dos servidores, dar voz a todas essas pessoas”, destaca. As propostas da chapa são baseadas em 12 princípios norteadores, entre a transparência, a ética e desburocratização dos processos.