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Jovens de Brasília vencem competição internacional de Ciências

Com projeto de plástico biodegradável feito a partir da casca da laranja, garotas venceram competição e exibição mundial de invenções

Bárbara Wingler e Kazue Nishi, duas jovens de 18 anos que vivem no Gama, cidade a 40 quilômetros de Brasília, ainda mal podem acreditar que conquistaram o segundo lugar na World Invention Competition and Exhibition (WICE), competição e exibição mundial de invenções. O evento, programado para ocorrer em Kuala Lumpur, na Malásia, foi realizado de maneira remota na segunda quinzena de setembro em função da pandemia do novo coronavírus.

“Na verdade, ainda estamos processando. Com o primeiro prêmio também foi assim. Concorremos com projetos incríveis e vencemos. É até difícil de acreditar”, conta Bárbara com um sorriso largo no rosto.

Com um projeto de produzir plástico biodegradável a partir da casca da laranja, a dupla conquistou quatro prêmios desde o passado e ainda vai concorrer a outros até o final de 2020. A ideia partiu do desejo de contribuir com o meio ambiente. Foi quando as jovens começaram a pesquisar e descobriram que a casca da laranja tem a capacidade de formar polímeros. Além disso, devido aos seus compostos orgânicos, a casca pode ser tóxica e poluente se descartada de maneira errada.

Tudo começou em agosto de 2019, no Clube de Ciências Marie Curie, do Centro de Ensino Médio 2 do Gama, no Distrito Federal. À época, Bárbara cursava o 3º ano do ensino médio; Kazue, o 2º. Juntas, integravam outro projeto premiado: um clube que incentiva alunos a conhecer e se dedicar à Ciência.

Com o auxílio do então professor de Química do Clube, Alex Aragão, as duas realizaram a pesquisa e testes com várias limitações e muita garra. “Tivemos que aprender a escrever de maneira científica, pesquisar muito, já que não há estudos publicados no Brasil sobre este assunto, traduzir textos, fazer testes, refazer”, detalha Kazue.

Após um longo trabalho, as jovens chegaram à primeira película de plástico biodegradável. O processo para transformar a casca de laranja em plástico demora 10 dias. Primeiro, a casca fica de molho na água. Depois, é preciso secar em uma estufa – feita de maneira improvisada com uma caixa de madeira e tampa de vidro. Logo após a secagem, o material é triturado até virar pó e, assim, é feita uma mistura com reagentes químicos.

O resultado do estudo e do esforço das garotas continua a render frutos, mas elas ainda estão aprimorando as propriedades mecânicas do material. O próximo passo é conseguir uma membrana com máxima qualidade para submeter a análises que comprovem a composição e eficácia do material desenvolvido.

Além de aperfeiçoar o produto, as meninas desejam continuar trabalhando para que a Ciência ocupe, de fato, seu merecido lugar de destaque na sociedade.

“A pesquisa é muito importante para a vida de todos. É muito bom poder fazer algo para que as pessoas conheçam mais e saibam que todos nós podemos ter um papel nisso”, diz Bárbara.

Para Kazue, é importante quebrar estereótipos ligados à Ciência. “Cientista não é só aquele homem mais velho com cara de Einstein. Nós, jovens, podemos ser parte disso, podemos fazer muito pela Ciência”.

Todo o projeto foi desenvolvido no Clube de Ciências do CEM 02, projeto que existe há cerca de 15 anos. Nele, os alunos têm a possibilidade de desenvolver projetos científicos orientados por um professor da escola. O objetivo principal é fomentar nos alunos a paixão pela Ciência e garantir uma melhor preparação para o ingresso no ensino superior.

O professor Alex Aragão lembra que outros projetos desenvolvidos no Clube de Ciências já foram premiados em diversas competições nacionais, tendo até trabalhos apresentados em competições internacionais que ocorreram no México e nos Estados Unidos.

 

Saiba mais sobre o projeto em: https://fbjc.com.br/mostraDetalhes.php?projeto=410