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Jogar limpo nos esportes também é papel da Química

A partir de julho deste ano as atenções do mundo se voltarão para o Japão, onde será realizada mais uma edição dos Jogos Olímpicos de Verão. Só no Brasil já são 152 atletas confirmados em várias modalidades. Além da torcida para estar no topo do quadro de medalhas, há também a expectativa de que nada estrague a competição, como algum atleta ser pego no doping. No dia 15 de janeiro foi comemorado o Dia Nacional do Jogo Limpo e de Combate ao Doping nos Esportes. Desde 2016 as regras estão mais rígidas por conta da lei que criou a Justiça Desportiva Antidopagem, que atualizou a legislação brasileira para o setor. Mas como é feito o controle de dopagem?

Os controles de dopagem são exames que consistem na coleta de amostras de urina e/ou sangue a serem enviadas para laboratórios credenciados pela Agência Mundial Antidopagem (AMA) com a finalidade de identificar a presença de substâncias ou métodos proibidos que constam na lista de substâncias e métodos proibidos da Agência.

O atleta pode ser testado em competição e fora dela. Neste caso, o fator surpresa impede que o atleta, com base no calendário de competições, mascare a dopagem ao interromper o uso da droga e limpar o organismo antes do início de uma prova, por exemplo. Assim, o esportista é abordado por um oficial de controle de dopagem em casa ou no local de treinamento. As etapas do controle de dopagem são sete: planejamento, seleção de atletas, notificação, coleta de amostras, transporte de amostras, análise laboratorial e gestão dos resultados.

Para a coleta das amostras, o atleta deve fornecer uma amostra de urina e/ou sangue na presença do oficial de controle de dopagem. As amostras são enviadas a um laboratório acreditado pela Agência Mundial Antidopagem. Os resultados dos exames realizados no Brasil são enviados para as entidades responsáveis pelo teste, para a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) e para a Agência Mundial. As análises de amostras para detecção de substâncias ou métodos proibidos no esporte só podem ser realizadas por laboratórios credenciados pela Agência Mundial.

E como a química está ligada ao doping? O diretor do Laboratório Brasileiro de Controle Antidopagem, Henrique Marcelo Gualberto, explica que a ciência é muito importante no combate ao doping porque é a área responsável pelo desenvolvimento de novos métodos analíticos que permitem ao laboratório detectar substâncias proibidas e seus metabólicos em concentrações muito pequenas. “A Química, em conjunto com a toxicologia analítica, avançaram muito ao longo dos anos, já que há sempre novas formas de dopagem e os laboratórios acreditados pela Agência Mundial Antidopagem são responsáveis por criar novas estratégias de antidoping. É uma corrida eterna e a universidade tem um papel muito importante porque é o desenvolvimento da ciência que permite que novos métodos sejam implementados”.

A ética em campo

A entidade que determina e realiza os testes de controle de doping, realiza a gestão de resultados de uma análise positiva e encaminha o caso para julgamento na Justiça Antidopagem é a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), subordinada ao Ministério da Cidadania. São eles os donos da campanha Jogo Limpo, que propaga a cultura antidopagem a toda a comunidade esportiva.

Para a secretária da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, Luisa Parente, a atuação do Brasil no controle à dopagem tem sido consistente e atuante. “A luta antidopagem no mundo é recente, mas o Brasil tem feito um bom trabalho. O nosso grande desafio é a educação, e isso é muito baseado em valores do esporte, porque se trata de ética. O que ajuda a manter o jogo limpo é a conduta de cada um desses atletas e dos profissionais que atuam junto com ele”, enfatiza.