Notícias

Inteligência artificial: o futuro das análises químicas

A transformação dos processos de análises químicas ocorre de forma tão rápida que não é mais possível prever todos os avanços. A inteligência artificial promoveu um salto nas pesquisas científicas e, a cada dia, ganha mais espaço na área da Química. Em entrevista para o Conselho Federal de Química (CFQ), o químico e pesquisador da Unicamp, Victor Gustavo Kelis Cardoso, diz que, em breve, qualquer pessoa poderá fazer testes em casa para controlar, por exemplo, a qualidade dos alimentos e a presença de substâncias como o glúten.

CFQ – De que forma a inteligência artificial pode ser aplicada à Química?

Victor Cardoso – Existem muitas situações em que a inteligência artificial já vem sendo aplicada, como na engelharia e na medicina. Na Química, não é diferente. Ela é usada na análise de medicamentos, alimentos, combustíveis e em várias áreas da indústria. É um vasto campo que precisa ser explorado. Atualmente, estão surgindo muitos aparelhos com sensores que facilitam as análises químicas, detecção de doenças, de drogas em aeroportos e mais uma infinidade de casos. Tem um celular, que será lançado em breve, que possui sensor de infravermelho. Este é um instrumento que pode ser aplicado, por exemplo, na análise de produtos que a gente tem em casa. Também estão sendo desenvolvidos sensores que podem ser colocados no relógio capazes de verificar a quantidade de açúcar, carboidratos e proteínas nos alimentos.

CFQ – Isso significa que muitas pesquisas que hoje são feitas em laboratório poderão ser feitas em casa?

Victor Cardoso – Exatamente. A ideia é a popularização da ciência. Acabar com o mito de que a Química é algo difícil e trazer para o dia a dia das pessoas.

CFQ – Como é que você vê o futuro das análises químicas com os avanços da tecnologia?

Victor Cardoso – Já crescemos muito, mas ainda há muita coisa a ser feita. Desde 2012, o Google começou a lançar vários aplicativos usando uma aprendizagem nova, a chamada deep learning, que treina computadores para realizar tarefas como as que são realizadas pelos seres humanos. Isso inclui reconhecimento de fala, identificação de imagem e previsões. O computador é treinado para aprender sozinho por meio de padrões. Acredito que isso vai se popularizar muito mais. É fascinante pensar que há 20 anos quase ninguém conhecia um celular e hoje ele é indispensável. É difícil imaginar o que será daqui a 20 anos. Acredito que não há limites para o progresso da ciência.

CFQ – Você acha que a inteligência artificial poderá promover mudanças nas atividades de professores e alunos nas salas de aula?

Victor Cardoso – Não tenho dúvida. Hoje, o celular já é usado como ferramenta de ensino e para experimentos. Os recursos multimídia também já são muito explorados, mas ainda têm um longo caminho a percorrer. Vejo na inteligência artificial a linguagem do futuro.

CFQ – Qual é a sua pesquisa atual?

Victor Cardoso – Minha pesquisa hoje é sobre a análise de alimentos. Desenvolvi uma metodologia para análise na indústria de chás que permite a avaliação da qualidade da produção desde a seleção da matéria-prima até o empacotamento. Essa metodologia permite identificar impurezas por meio de sensores não invasivos.

 

Ouça a entrevista do pesquisador Victor Cardoso: