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Importações de produtos químicos se mantêm em alta e preocupam segmento

Recente balanço da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) revela um dado preocupante para a indústria nacional. Nos últimos 12 meses, o déficit em produtos químicos somou US$ 31,4 bilhões e poderá ser recorde em 2019. Somente em julho deste ano, as importações brasileiras de produtos químicos somaram US$ 4,5 bilhões, recorde mensal em toda a série histórica de acompanhamento da balança comercial. Para especialistas, a única saída é o desenvolvimento da indústria de base e a criação de um ambiente de negócios favorável para atrair investimentos.

Os dados da Abiquim ainda mostram que no acumulado deste ano, entre janeiro e julho, as compras de mercadorias do exterior alcançaram US$ 24,9 bilhões, o que representa elevação de 7,2% em relação ao mesmo período de 2018. Já o volume de importações, de 25 milhões de toneladas, recorde em quantidade importadas para o período, significou um aumento de 13,8% na comparação com janeiro a julho de 2018, sobretudo devido ao aumento de 16,7% das aquisições de intermediários para fertilizantes, de praticamente 14,3 milhões de toneladas, no acumulado do ano em curso. De agosto de 2018 a julho deste ano, o déficit comercial somou US$ 31,4 bilhões, apenas inferior ao recorde de US$ 32 bilhões em 2013, sendo crescente a percepção de que, para o final de 2019, esse indicador será superado, mesmo com a ainda tímida recuperação do crescimento econômico nacional e em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China.

As exportações, por sua vez, somaram US$ 7,5 bilhões, redução de 1,3% na comparação com o valor do mesmo período de 2018, sendo grande a preocupação com o desempenho das vendas para o exterior até o final do ano com os sinais negativos da economia global.

Para o conselheiro federal do Conselho Federal de Química (CFQ), Mario Newton Battastini, tudo começa no alto preço do gás cobrado no Brasil, comparado a outros países no exterior. Mas para Battastini, a solução para equilibrar essa balança é o investimento na Indústria de Base. “Por que importamos tantos produtos químicos? Porque não produzimos, simples assim. Por isso é necessário haver uma ação conjunta forte para retomarmos nosso parque industrial”, avalia. Ele acrescenta que o Estado também pode contribuir neste aspecto. “Algumas medidas já estão sendo feitas pelo governo, como as Reformas Tributárias e da Previdência. É importante, também, devolver o poder de compra da sociedade para que a Indústria do Consumo também aumente e a economia possa girar”, declarou.

A diretora de Assuntos de Comércio Exterior da Abiquim, Denise Mazzaro Naranjo, também analisa positivamente as ações do governo, mas é preciso agilizar a criação de uma agenda de competitividade. “Indiscutivelmente as recentes conclusões de negociações de livre comércio internacional traduzem o compromisso do governo em promover uma inserção internacional responsável e dialogada com o setor privado e em viabilizar um ambiente de negócios favorável. Em paralelo, no contexto do delicado momento econômico internacional, é absolutamente fundamental a rápida implementação de uma agenda de competitividade consistente, alicerçada nas reformas estruturantes nacionais e na superação das limitações relacionadas à logística, energia, burocracia, entre outras, para o pleno uso das potencialidades de comércio e de investimentos desses novos acordos”, declarou.