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Hipoclorito de Sódio e outras substâncias no combate à Covid-19

Cartilha do Conselho Federal de Química esclarece dúvidas sobre o assunto

 

As Secretarias de Transporte e Mobilidade, além de empresas e sindicatos de ônibus e metrô de grandes metrópoles, como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, recomendam e utilizam o hipoclorito de sódio (cloro ativo) para a limpeza e sanitização dos veículos de transporte para combater a Covid-19.

Ônibus circulando no Distrito Federal

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o Conselho Federal de Química (CFQ) trabalha para esclarecer dúvidas sobre a aplicação desta substância. Uma cartilha que explica com todas as informações está disponível no site da instituição, além de vídeos e matérias divulgadas no decorrer dos últimos meses.

Em março de 2020, a Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob), assim como as secretarias de mobilidade de São Paulo e do Rio de Janeiro, determinou aos operadores do Sistema de Transporte Público, o reforço na higienização dos veículos, com o uso de hipoclorito de sódio.

As secretarias estaduais informaram ainda que, para dar mais segurança aos usuários do sistema público de transportes, as operadoras passaram a higienizar as partes internas dos ônibus onde os passageiros colocam as mãos, tais como corrimãos, barras de apoio de sustentação, roletas, apoios de porta, entre outros. No caso da Semob, no Distrito Federal, houve também a determinação para que todos os veículos fossem lavados ao final da operação, quando retornam à garagem.

A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) afirma que, além do hipoclorito de sódio, produtos como peróxido 40B (41957340), na proporção de 1 litro de desinfetante para 22,4 litros de água. A aplicação é feita com borrifador simples e manual, complementando com pano alvejado/flanela.

Na sanitização semanal dos trens, é utilizado o desinfetante Combacter 800 – quaternário de última geração, à base de amônia quaternária. A diluição do Combacter 800 se dá na proporção de 1 litro do produto para 1.000 litros de água e a aplicação feita com pulverizador costal.

No Recife, a Secretaria de Saúde determinou, desde o começo da pandemia, que a empresa operadora do sistema de transportes utilize produtos específicos para a higienização das superfícies. A lista inclui o hipoclorito de sódio a 0.1%, alvejantes contendo hipoclorito (de sódio, de cálcio) a 0,1%, dicloroisocianurato de sódio (concentração de 1,000 ppm de cloro ativo), Iodopovidona (1%), peróxido de hidrogênio 0.5%, ácido peracético 0,5%, quaternários de amônio (cloreto de benzalcônio 0.05%), compostos fenólicos.

O Químico Industrial, doutor em Vigilância Sanitária e colaborador das comissões técnicas de Saneantes e de Química Farmacêutica do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV), Ubiracir Fernandes Lima Filho, destaca que o Sistema CFQ/CRQs recomenda o uso desta substância.

Ele explica que é preciso seguir as recomendações técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disponibilizadas por meio de Notas Técnicas. Lima Filho cita alguns exemplos: a Nota Técnica 47/2020, que “trata de recomendações sobre produtos saneantes que possam substituir o álcool 70% em desinfecção de objetos e superfícies, durante a pandemia da Covid-19”. “Entre estes produtos, há recomendação de hipoclorito de sódio a 0.1%. É importante destacar que devem ser utilizados produtos regularizados naquela agência.”

Ele ressalta ainda que os peróxidos de hidrogênio e quaternários de amônio também são citados na Nota Técnica 47/2020, “como substitutos ao álcool em gel na desinfecção de objetos e superfícies, durante a pandemia da Covid-19”.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Química da 12ª Região (CRQ XII), que abrange o Distrito Federal, Goiás e Tocantins, Luciano Figueiredo de Souza, além da capacidade do hipoclorito de sódio de causar oxidação da matéria orgânica, o que proporciona a destruição do vírus, uma questão importante para o uso é o ótimo custo/benefício para a utilização desse produto.

“Considerando que o produto pode ser facilmente encontrado no mercado consumidor e tem eficiência comprovada para sanitização de ambientes, ele é indicado para a sanitização de superfícies, com os devidos cuidados em relação ao tipo de superfície a ser aplicado, manipulação/diluição do produto, método de aplicação e tempo de contato, atividades que devem ser realizadas e monitoradas por profissionais Químicos devidamente habilitados”.

 

Fique de olho na procedência do produto

O CFQ atesta que, nas proporções certas e aplicação com tempo de ação adequada, a substância é segura. É importante também verificar a procedência do produto, se ele foi produzido em local com responsável técnico e se a empresa tem registro no Conselho Regional do estado em que se situa.

“Os laboratórios da Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde [Reblas] ainda não estão realizando testes de eficácia para atestar especificamente frente ao novo coronavírus. Entretanto, no momento do registro dos produtos, no caso aqueles cujos ativos são Hipoclorito de Sódio, são avaliados testes específicos de segurança e eficácia frente a uma série de microrganismos”, afirma Lima Filho.

Ele alerta que se deve sempre utilizar produtos regularizados na Anvisa, e respeitar a forma de aplicação e o tempo de contato determinados pelo fabricante e dispostos nas rotulagens, que foram avaliadas e aprovadas pela aquela agência reguladora.

Ônibus em terminal do RJ

Já o presidente do CRQ XII destaca que a eficiência do produto está relacionada à correta diluição. “Para isso, um profissional Químico deve determinar sua correta diluição, realizando cálculos, assim como a correta forma de aplicação e quais os equipamentos de proteção devem ser utilizados pelos aplicadores”, explica.

 

Presença de um profissional da Química é indispensável

Luciano de Souza reforça a importância do profissional da Química no processo de produção. “A fabricação de todos os produtos químicos citados, como hipoclorito de sódio, peróxido de hidrogênio, quaternários de amônio, sabões, detergentes, álcoois, envolve a utilização de conhecimentos na área da química. Todos esses produtos são obtidos por meio de reações químicas controladas, utilizando-se de operações unitárias da indústria química e rigoroso procedimentos de controle e garantia da qualidade”, afirmou.

O presidente do CRQ XII disse que, além da exigência legal, por se tratar de atividades privativas dos profissionais químicos, “a fabricação desses produtos exige a presença de um profissional Químico em função de todo o conhecimento técnico envolvido”.

“O profissional da Química é quem conhece as matérias-primas utilizadas no processo, é quem sabe desenvolver e controlar os equipamentos para o processamento, é quem conhece os métodos de análise e os aplica para controlar a qualidade do produto. Dessa forma, o profissional Químico é imprescindível na fabricação de produtos saneantes utilizados no combate ao coronavírus e também para aqueles saneantes utilizados em nosso dia a dia.”

No período de pandemia, o CRQ XII priorizou a realização de fiscalizações em empresas que atuam no segmento de saneantes e cosméticos, a fim de constatar possíveis atividades clandestinas ou irregulares, além de verificar as denúncias apresentadas e monitorar a comercialização dos produtos nos estabelecimentos.

“Foram também realizadas parcerias com diversos órgãos, tais como, Vigilâncias Sanitárias, Órgãos Ambientais Municipais, Batalhões de Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Militar, com a finalidade de coibir a produção irregular de álcool gel, álcool 70º INPM e outros produtos saneantes.”

De acordo com ele, em decorrência das parcerias firmadas, foram realizadas ações conjuntas que resultaram na interdição de nove empresas que estavam em atividades clandestinas ou irregulares de comércio e produção de álcool em gel e/ou álcool 70º INPM, “evitando-se que a população fizesse uso de tais produtos irregulares, sem qualidade e comprovação de eficácia.”