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Gás ozônio: Anvisa afirma que não há evidências sobre eficácia contra o novo coronavírus

Em Nota Técnica, a agência destaca que o uso do ozônio tem potencial para causar danos agudos e crônicos em humanos

Com o advento da pandemia do novo coronavírus, surgiram equipamentos e dispositivos em várias cidades para “descontaminar” superfícies e até mesmo pessoas. Um deles são os túneis que preconizam a desinfecção de pessoas usando ozônio. Desde que os primeiros túneis e cabines de desinfecção de pessoas foram instalados, o Sistema CFQ/CRQs (Conselho Federal de Química e Conselhos Regionais) fez o alerta: não há comprovação científica de sua eficácia e seu uso pode causar danos à saúde.

No início deste mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou Nota Técnica que traz informações sobre o uso de ozônio como produto desinfetante. De acordo com o documento, uma revisão de dados de estudos nacionais e internacionais concluiu que não foram apresentadas evidências científicas relacionadas à eficácia desinfetante do ozônio contra o vírus Sars-CoV-2.
Além disso, a agência afirma que, embora tenha ação desinfetante na água de consumo humano e seja utilizado com esta finalidade, principalmente na Europa, o uso do ozônio tem potencial para causar danos agudos e crônicos em humanos, caracterizados por lesões na pele, nas vias respiratórias e nos olhos, além de reações alérgicas.

“A ozonização é uma tecnologia mais complexa que as demais utilizadas com fins de desinfecção. O ozônio é muito reativo e corrosivo, portanto, requer material resistente à corrosão, como aço inoxidável. Ademais, o composto é extremamente irritante e tóxico, de forma que os gases devem ser destruídos para impedir a exposição do trabalhador”, diz trecho da nota.
O Químico Industrial e doutor em Vigilância Sanitária, Ubiracir Fernandes Lima Filho, explica que o ozônio é um reagente químico enérgico que forma radicais livres em meio aquoso e age muito rápido e com matéria orgânica.

“O princípio de desinfecção do ozônio é oxidação de parede da capsula externa. Simplificando funciona assim: após danificar a estrutura, o material intracapsular sai e extracapsular entra. E assim se inativa o vírus. Só que o ozônio não escolhe a matéria orgânica que vai oxidar e assim pode agir em mucosas, superfície de pele…Mesmo que seja em baixa concentração, se usado por várias vezes repetidas, pode haver efeito adverso”.

Lima Filho ressalta que o papel dos órgãos competentes é buscar eficácia e comprovar a segurança do usuário. “É necessário que se façam os estudos e que sejam aprovados para que se afirme que os equipamentos e reagentes químicos usados são eficazes e seguros nos modos de aplicação e exposição desejados”, finaliza.

Confira a nota aqui.