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Fato marcante para a Ciência no Brasil, advento da Química na Amazônia celebra seus 100 anos

A Química no Estado do Pará chega ao seu primeiro centenário. O Conselho Regional de Química da 6ª Região (CRQ VI), sediado em Belém, celebra a data – que representa um marco de desenvolvimento para toda a Região Amazônica, já que a atividade química engatinhava em vários Estados e mesmo em polos já mais desenvolvidos à época, como São Luis e Manaus.

A data dos 100 anos da Química no Pará se relaciona com a criação da Escola de Química Industrial do Pará, intitulada “Escola de Chimica”, como é carinhosamente conhecida por conta da grafia do nome à época. Dizer que a Química teve início na região entre os anos de 1920 e 1921 é uma demasia, claro: àquela época, nos últimos dias do ciclo da borracha, a cidade de Belém era desenvolvida e seu porto tinha conexão direta com a Europa, em um intercâmbio de bens, pessoas e tecnologias que fervia no início da década de 20, quando o Velho Continente se libertava da Primeira Guerra Mundial.

Além da borracha, castanha-do-pará e outras sementes oleaginosas eram embarcadas para os portos europeus. O beneficiamento dos produtos para exportação provocou o surgimento de uma indústria regional em Belém. Na contramarcha, o fluxo de europeus interessados em estudar a Amazônia e mesmo contribuir na exploração das suas riquezas era igualmente grande – neste caso, o fluxo mais expressivo era o de franceses, como evidencia o corpo técnico inaugural da Escola de Química Industrial, dirigido pelo francês Paul Le Cointe, o primeiro diretor da Instituição. À época, ele já estava radicado em Belém e trouxe da França consigo professores como Charles Paris, Raymond Joannis, René Rougier, Georges Bret, Camille Henriet e André Callier, segundo registra o trabalho de recuperação histórica “Evolução das Atividades do Químico na Amazônia – resumos indicativos, Século XX”, de autoria dos ex-presidentes do CRQ VI Célio Francisco Marques de Melo e Waterloo Napoleão de Lima.

Criação do CRQ VI foi impulso à Química no Pará

Antes da criação da Escola de Química Industrial, resultado da pressão de parlamentares do Estado do Pará junto às autoridades da então capital do Brasil, Rio de Janeiro, tínhamos um cenário de escassez de profissionais do ramo da Química e especialistas de outras áreas como biologia e farmacêutica acabavam por ocupar esses espaços. O estabelecimento das bases para o ensino da Química em Belém colocou a cidade ao lado naquele momento de Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte.

A história da Química, ou do ensino da Química, no Pará, se confunde com a evolução do sistema universitário na região e no país. Os altos e baixos da política, seja a partir do Rio, seja em Brasília, afetaram os destinos das universidades brasileiras, seja na grande crise na década de 30 na Era Vargas, seja na expansão e consolidação da Química no contexto da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Outro impulso à Química na Amazônia veio com a criação do CRQ VI. Desde a criação do Sistema CFQ/CRQs, a partir da Lei Mater dos Químicos e estabelecimento do Conselho Federal do Química (CFQ), em 1956, o Pará esteve ligado ao CRQ I, cuja sede fica em Recife. Somente em 18/12/1968, com a edição da Resolução Normativa nº 21 pelo Conselho Federal de Química (CFQ), houve a criação do CRQ VI.

Comemorações podem ocorrer ao longo do ano

A presidente do CRQ VI, Cristiane Maria Leal Costa, lamenta que uma data tão especial acabe ficando sem uma solenidade à altura. A pandemia e suas consequências inviabilizaram as comemorações do centenário.

“Infelizmente tivemos que abortar a ideia de uma solenidade. O projeto era fazer um evento, mas por conta da pandemia não foi possível, também pelos problemas financeiros provocados pela Covid-19. Em 2021, teremos o Encontro de profissionais da Química da Amazônia e pensamos em juntar as duas pautas, esperamos concretizar”, afirmou a presidente Cristiane Leal.