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“Existe muita coisa por fazer na Química. Basta olhar e se dedicar”

O Conselho Regional de Química da 15ª Região (CRQ XV) tem registrados 1.977 profissionais e 502 empresas. Como presidente, a Química potiguar conta com Afonso Avelino Dantas Neto, alguém que acompanha o desenvolvimento dessa área da indústria e do conhecimento desde o início tênue no Rio Grande do Norte – até hoje um segmento dominado no Estado pelo petróleo escuro e pelo sal brilhante, ambos vindos da terra potiguar para gerar riqueza e desenvolvimento para esse pedaço do Nordeste. Com o olhar aguçado de quem viu toda essa estrutura evoluir no Estado, Afonso Dantas Neto sugere aos profissionais e estudantes que busquem seu diferencial para vencer. A síntese da entrevista:

Presidente, como é possível caracterizar a Química em seu Estado? Quais setores são os mais representativos?

Afonso Avelino Dantas Neto – Aqui no Rio Grande do Norte é petróleo e sal, principalmente. O Rio Grande do Norte hoje… Hoje não, sempre… 95% da produção de sal no Brasil sai do Rio Grande do Norte. É o Estado que fornece para todo país e, ao mesmo tempo, exporta. Sal sempre foi o carro-chefe da indústria química daqui. Principalmente nesses dois segmentos, uma indústria um pouco maior em volume… No caso do petróleo já fomos, em terra, o maior produtor do Brasil e essa produção atualmente está praticamente parada com os campos sendo renegociados para a iniciativa privada. Hoje, 90% da produção petrolífera do Brasil é marítima e a Petrobras está negociando os campos de terra com outras empresas. O papel do químico nessas áreas ainda é muito importante para o Rio Grande do Norte.

E quanto ao CRQ XV, qual o maior desafio?

Afonso Avelino Dantas Neto – Como no Brasil todo, em função dessa pandemia, os conselhos todos estão tendo uma queda de arrecadação. Mas mesmo antes disso a crise já se apresentava, na forma de uma inadimplência crescente e de um grande número de solicitações para isenção de anuidade em função da ausência de atividade laboral remunerada. A tendência é de retomada, acredito nisso e tenho dados aqui que já demonstram que a gente terá uma nova subida na economia e eu espero que dentro de três ou quatro anos se retorne ao que já foi a Química pré-pandemia.

E com relação à pandemia de Covid-19? Como afetou o setor químico potiguar?

Afonso Avelino Dantas Neto – Aqui praticamente parou, não seria diferente de outros Estados do Brasil. As atividades que não pararam, ao contrário cresceram, foram as de produção de saneantes domissanitários. As demais atividades estão sendo retomadas gradativamente e, mesmo assim, ainda está longe da totalidade. Sempre existe receio de que haja um retrocesso, de que volte, novas demandas por parte do governo do Estado de que feche as empresas, o comércio e assim sucessivamente. Em relação ao nosso Conselho, estamos trabalhado em home office. A nossa diretora administrativa fica no CRQ  e os demais em home office. Eu pessoalmente tenho ido ao CRQ XV duas vezes por semana, e apesar das dificuldades conseguimos atender a demanda no período.

Como descreveria a sua experiência pessoal na Química? E dentro do CRQ XV?

Afonso Avelino Dantas Neto – Na Química foi simplesmente uma escolha, quando eu ia fazer o vestibular eu escolhi a Engenharia Química. Escolhi esta área porque é algo que sempre me atraiu e era algo que no Rio Grande do Norte na época não existia, só havia aqui no Estado duas engenharias, a Civil e a Elétrica. Eu não queria nenhuma das duas e, conversando com algumas pessoas, tive conhecimento da área e recebi o norte, de que esse era o caminho. Mas, como disse, na época, no Rio Grande do Norte não tinha esse curso. Eu fiz vestibular na UFRN e, depois me transferi para o Ceará onde terminei Engenharia Química na UFC. No ano que retornei, fiz concurso para a Universidade. Passei e, desde 1978, sou professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Me ausentei ainda por quatro anos, para fazer doutorado na França e, em 1983, retornei. De lá para cá, tenho estado na Universidade. Acabei me aposentando em 2012, fui ser diretor-geral do Senai do Rio Grande do Norte e passei dois anos lá. Depois de dois anos de Senai retornei à UFRN na condição de professor voluntário e pesquisador visitante do Programa de Recursos Humanos  da Agência Nacional do Petróleo (ANP) onde me encontro até hoje trabalhando junto ao curso de Engenharia Química.

E com relação ao CRQ XV? Como se deu essa jornada?

Afonso Avelino Dantas Neto – O CRQ XV foi fundado em 1997, o professor Henio Normando, hoje conselheiro federal, foi fundador e seu primeiro presidente. Ele passou os três anos, saiu para assumir como conselheiro federal no CFQ, e veio a professora Tereza Neuma, ela passou um certo tempo e depois veio a ser conselheira federal também. Estou no 6º ano de mandato e pretendo encerrar em fevereiro do próximo ano onde devo passar o cargo pra outro profissional.

E quanto ao cenário da Química para quando a pandemia passar? É possível ficar otimista?

Afonso Avelino Dantas Neto – Acredito plenamente que é possível ter otimismo. O Brasil é um país muito grande e muito rico, tem uma população que demanda muitos serviços. Coisas que no primeiro mundo estão praticamente feitas, ainda estão por serem feitas aqui no Brasil. Dentro dessa visão eu acredito plenamente que o Brasil vai sair dessa bem melhor.

Qual mensagem o senhor deixaria para os estudantes e profissionais de Química do Rio Grande do Norte?

Afonso Avelino Dantas Neto – Vale a pena fazer carreira na Química, isso eu digo com certeza.  Hoje em dia, as coisas são bem mais desenvolvidas tecnologicamente e necessitam de mais fontes de conhecimento e uma quantidade muito maior de profissionais. Cada um tem de fazer o seu diferencial para conquistar o seu espaço. É preciso ler muito, ver o que pode ser encontrado dentro da Química que lhe agrade e identificar esse potencial. Existe muita coisa por fazer na área da Química. Basta olhar e se dedicar a determinada área onde há demanda. Com conhecimento, esforço e dedicação oportunidades surgirão nas áreas de Química, química ambiental, alimentos, petróleo, materiais e outras correlatas.