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Estudo indica que profissões relacionadas à Química têm futuro promissor

Em suas palestras pelo Momento Q, o engenheiro químico e mestre em processos petroquímicos Claudio Luís Muller sempre enfatizou aos participantes que, com o advento da Indústria 4.0, antigas ocupações tenderão a sumir. Em uma via de mão dupla, as constantes mudanças levarão ao surgimento de novas profissões, cabendo aos profissionais e postulantes estarem atentos às oportunidades.

A análise de Muller é corroborada por estudos desenvolvidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que apontam quais serão as próximas ocupações que estarão em destaque nesse cenário de transformação tecnológica, inclusive na Química.

A previsão dos especialistas do Senai é de que surgirão 30 novas profissões em oito áreas estratégicas. O levantamento aponta as ocupações, de nível médio e superior, que devem ganhar relevância e se transformar nos segmentos automotivo; alimentos e bebidas; máquinas e ferramentas; petróleo e gás; têxtil e vestuário; Química e Petroquímica; tecnologias da informação e comunicação, e construção civil. Essas áreas estão entre as que mais devem ter seus processos transformados e que apostam na dominância das tecnologias digitais para a competitividade dos seus negócios na próxima década.

Na área de Química e Petroquímica, está previsto o surgimento de três profissionais: o técnico em análises químicas com especialização em análises instrumentais automatizadas; o técnico especialista no desenvolvimento de produtos poliméricos; e o técnico especialista em reciclagem de produtos poliméricos. “As tecnologias digitais vão criar uma miríade de novos negócios e transformar o mercado de trabalho. As pessoas terão um processo contínuo de aprendizado ao longo de vida. Vão precisar se requalificar permanentemente para adquirir novas competências. O técnico em química, por exemplo, terá de adquirir conhecimentos básicos em nanotecnologia e em sistemas digitais, assim como ter pensamento crítico, adaptabilidade, flexibilidade e atenção a detalhes”, explica o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi.

Outro estudo desenvolvido pela instituição é o Mapa do Trabalho Industrial, que mostra quais profissões irão crescer nos próximos anos até 2023. O trabalho foi elaborado para subsidiar a oferta de cursos do Senai. O mapa prevê que o Brasil terá de qualificar 10,5 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos níveis superior, técnico, qualificação profissional e aperfeiçoamento. Entre as ocupações técnicas com maior demanda por formação dentro e fora da indústria estão os técnicos químicos, os técnicos de laboratório industrial e supervisores da fabricação de alimentos, bebidas e fumo.

O estudo também aponta os cursos de qualificação que terão alta demanda no período, como Química, Borracha, Petroquímica, Petróleo, Gás e Fármacos. Eles são voltados a jovens ou profissionais, com escolaridade variável de acordo com o exercício da ocupação, e que buscam desenvolver novas competências e capacidades profissionais. Existem também ocupações em alta que exigem qualificação profissional. Segundo o mapa, entre as vinte profissões em alta nos próximos anos estão operadores de processos das indústrias de transformação de produtos químicos, petroquímicos e afins. Em relação ao nível superior, engenheiros químicos e químicos também estarão em alta.

Os cursos do Senai permitem formação de excelência, como comprova a participação de seus ex-alunos em competições mundiais, como a WorldSkills, realizada em agosto, na Rússia. Este ano, 63 jovens brasileiros, dos quais 56 preparados pelo Senai, participaram do torneio. Entre os medalhistas, a técnica em Química Daniela Carneiro, que faturou a medalha de bronze na categoria Tecnologia de Laboratório Químico, disputada com mais oito candidatos da Áustria, Colômbia, China, Finlândia, Cazaquistão, Rússia, Singapura e Reino Unido.