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Estudantes e professores se mobilizam em ações de combate à Covid-19

Produção de álcool glicerinado, entre outros itens, é dirigida para comunidades

Uma iniciativa de estudantes, servidores técnicos e professores conseguiu produzir mais de 6,5 mil litros de álcool glicerinado e 100 litros de álcool 70%. Os produtos foram distribuídos às unidades públicas de saúde de Foz do Iguaçu, no Paraná, além do Distrito Sanitário Especial Indígena, do litoral sul do estado, e escolas, inclusive de educação especial. É o que explica a química Caroline da Costa Silva Gonçalves, professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), uma das instituições de ensino envolvidas na doação de bebidas alcoólicas apreendidas pela Receita Federal.

 

A parceria conta ainda com mais duas instituições: a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Palotina. Segundo dados da Receita Federal, entre 2018 e 2021, foram destinados mais de 100 mil litros de bebidas para o projeto. “Essa parceria tem a grande vantagem de incentivar a pesquisa nas universidades, facilitar a destruição de mercadorias porque entraram no país de uma forma ilegal, e ainda gera uma economia ao estado”, diz o delegado da Receita Federal, em Foz do Iguaçu, o auditor-fiscal Paulo Bini.

“No início da pandemia, observou-se um aumento abrupto da demanda de álcool em gel, de forma que o material, incluindo o polímero usado em sua formulação, começou a faltar no mercado. Esta é uma proposta institucional da Unila de enfrentamento à Covid-19, formada por profissionais de diversas áreas”, conta Caroline, docente com mestrado e doutorado em Química Orgânica.

O álcool glicerinado fabricado pela Unila é uma formulação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que substitui a fórmula em gel para fazer a antissepsia das mãos. De acordo com a professora, foram fabricados na Unila álcool glicerinado 80% (V/V), que contém em sua formulação (além do etanol), glicerol 1,45% (V/V) (que age como umectante), H2O2 0,125% (V/V) (utilizado para inativar esporos de microrganismos presentes em solução, não é uma substância ativa na assepsia das mãos) e água destilada (diluição da solução). A produção de álcool glicerinado também abastece a própria universidade e, em seu corpo docente, alunos e funcionários.

O estudante do oitavo período do curso de Química Guilherme Pavão Gomes descreve o sentimento de solidariedade. “O fato de me sentir útil em meio à pandemia e ajudar a população, contribuindo com os meus conhecimentos e mão-de-obra referentes à Química, me deixou muito feliz”.

Já a aluna de graduação do quinto período de Química Amanda de Araújo Drago relata que é momento de contribuir para a sociedade. “É poder dizer à comunidade que somos um, que entendemos a dificuldade, mas que há esperança de momentos melhores.”

Parceria com a Receita Federal

A proposta da Universidade foi além, como conta o engenheiro mecânico Ricardo Morel Hartmann, coordenador do grupo de trabalho responsável pela destilação de etanol, a partir de bebidas alcoólicas doadas pela Receita Federal.

Hartmann, que possui mestrado e doutorado em ciências térmicas (combustão e propulsão aeronáutica), diz que, para o enfrentamento à Covid-19, a Unila elaborou ações envolvendo nove eixos de atuação, entre eles, estão o monitoramento estatístico da pandemia, testes rápidos de detecção do coronavírus e até a pesquisa de uma vacina.

“O projeto nasceu de uma ação da Reitoria na qual foram institucionalizados nove grupos de trabalho para atender à demanda gerada pela pandemia da Covid-19. Particularmente, o nosso grupo de trabalho destila o etanol proveniente de bebidas apreendidas pela Receita Federal. No ano passado, nós recebemos 200 litros de destilados como uísque e vodca para a fabricação do álcool glicerinado”, completa Hartmann. Em 2021, até esse momento, foram doados mais 600 litros.

O projeto da Unila, com as nove ações de combate à Covid-19, conta com mais 70 integrantes, entre servidores, alunos, bolsistas, professores de Química, Biologia, Física, Medicina, Saúde Coletiva, Biotecnologia, Engenharias, Comunicação Social e Geografia.