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Estudante brasileira recebe o primeiro lugar na maior feira de ciências do mundo

Uma estudante brasileira de apenas 18 anos foi a grande vencedora na Intel International Science and Engineering Fair (Isef), maior feira de ciências para pré-universitários do mundo. Juliana Estradioto apresentou a pesquisa sobre o aproveitamento da casca de noz macadâmia para curativos de ferimentos da pele ou para embalagens e ganhou o 1º lugar na área de Ciência dos Materiais do concurso. Mais de 1,8 mil estudantes de ensino médio de 80 países passaram pela feira, que aconteceu em maio, em Phoenix, Estados Unidos.

Mas para chegar ao topo mundial da premiação, Juliana percorreu um longo caminho. “Meu projeto surgiu a partir da demanda de uma das maiores agroexportadoras da noz macadâmia no Brasil, a Cooperativa Agroindustrial Dos Produtores De Noz Macadâmia (Coopmac), no Espírito Santo. Por meio de parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo, consigo obter esse resíduo para utilizar no meu projeto, no Rio Grande do Sul”, explica a estudante gaúcha, natural de Osório.

A partir daí, Juliana produziu uma espécie de farinha a partir da casca de noz macadâmia e a utilizou como se fosse realmente o alimento para os microrganismos, responsável por produzir a membrana celulose bacteriana, cujo resultado é um material biológico. A membrana da macadâmia possui características, como flexibilidade e resistência, que permitem a utilização em curativos para pele queimada ou machucada.

Outro uso possível é na elaboração de embalagens para o recolhimento de resíduos orgânicos, em substituição ao plástico. O grande objetivo da pesquisa é ter um produto sustentável, com custo baixo, produzido a partir de resíduos com destinação ao lixo. Como o produto poderá ser comercializado no futuro, a estudante já iniciou o processo de patente.

Não é a primeira vez que Juliana brilha com seu conhecimento. Recém-formada no curso Técnico em Administração Integrado ao Ensino Médio, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), ela já ganhou 40 prêmios científicos nacionais e internacionais. Além do primeiro lugar na Isef, a estudante está credenciada para a cerimônia da entrega do Nobel, na capital da Suécia, para representar o Brasil no Stockholm International Youth Science Seminar — evento anual que reúne os 25 mais promissores jovens cientistas do mundo, entre 18 e 25 anos.